Curitiba – Advogados dos executivos que permanecem presos na carceragem da Polícia Federal (PF), em Curitiba, e de parte dos funcionários das seis empreiteiras (OAS, Engevix, Mendes Jr., Camargo Corrêa, UTC Engenharia e Galvão Engenharia) já denunciados apresentaram suas defesas preliminares nos processos que envolvem seus clientes e que tramitam na Justiça Federal do Paraná. Eles precisam manifestar-se antes do início das primeiras oitivas, que estão marcadas para fevereiro.
Algo em comum a quase todas as petições é que os defensores apontam que os executivos foram, na realidade, "extorquidos" pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, que "exigia" os recursos e, inclusive "ameaçava" os empresários. A tese de extorsão já havia sido levantada pelo advogado Marcelo Leonardo, que representa o vice-presidente da Mendes Jr., Sérgio Cunha Mendes e que, em novembro do ano passado, informou que seu cliente afirmou, em depoimento prestado aos delegados da PF, que pagou propina aos operadores mediante ameaça.
"O que ele (Paulo Roberto Costa) fazia era ameaçar, um a um, aos empresários, com o poder econômico da Petrobras. Prometia causar prejuízos no curso de contratos. Dizia que levaria à falência quem contrastasse seu poder, sinônimo da simbiose do poder econômico da mega empresa com o poder político do governo", reforça um trecho da manifestação feita por Antonio Pitombo, defensor do vice-presidente da Engevix, Gerson de Mello Almada.
Os defensores também contestam de forma unânime a legalidade das prisões e afirmam que "não têm amplo direito de defesa por não saber o conteúdo de todos os documentos que integram o processo e tampouco os detalhes das delações premiadas da Lava Jato". Eles solicitam a absolvição de seus clientes, reclamam do compartilhamento de provas de outros processos e dos grampos telefônicos utilizados pelos policiais e contestam as buscas e apreensões nos escritórios e residências dos executivos.
Os advogados ainda alegam que houve "manipulação de competência" por parte do juiz federal Sérgio Moro,responsável pelos processos da Lava Jato em primeira instância. "Não há um crime sequer de competência federal na denúncia do Ministério Público Federal (MPF). Fala-se de corrupção de funcionários da Petrobras, de lavagem de dinheiro de suposta propina e de organização criminosa, mas nada que seja de interesse da União" afirmou a defesa do presidente da OAS, José Aldemário Pinheiro Filho.
As audiências de oitivas das testemunhas de acusação do MPF dentro dos processos referentes aos executivos começam a partir do dia 2 de fevereiro. Ao todo onze seguem na PF e dividem três celas de uma das alas da carceragem. Na manhã de ontem, o executivo da Mendes Jr., Sérgio Cunha Mendes passou por uma cirurgia para retirada de um cálculo renal. O Hospital Santa Cruz, em Curitiba, não divulgou boletim médico a pedido dos advogados do empresário, mas a expectativa é de que ele permaneça internado pelo menos durante o final de semana.

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