Defesas afinam discurso de que não existe cartel
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terça-feira, 03 de fevereiro de 2015
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba Os dois executivos do grupo Toyo-Setal, Júlio Gerin de Almeida Camargo e Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, que fecharam acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF) no final do ano passado, e o delegado da Polícia Federal (PF) e coordenador da Operação Lava Jato, Márcio Anselmo, foram as primeiras testemunhas de acusação ouvidas pelo ontem juiz federal Sérgio Moro, nas audiências dos processos da sétima fase das investigações.
A audiência é referente à ação penal que envolve as empreiteiras Camargo Corrêa e UTC Engenharia durou cerca de cinco horas. No ato compareceram presencialmente seis réus: o doleiro Alberto Youssef, Dalton dos Santos Avancini (presidente da Camargo Corrêa), Eduardo Hermelino Leite (vice-presidente da Camargo Corrêa), João Ricardo Auler (presidente do Conselho de Administração da Camargo Côrrea), Ricardo Ribeiro Pessoa (presidente da UTC Engenharia) e Adarico Negromonte Filho (transportava valores para Youssef).
Márcio de Andrade Bonilho (sócio da Sanko Sider), Jayme Alves de Oliveira Filho, o "Careca" (transportava valores para Youssef), Paulo Roberto Costa (ex-diretor da Petrobras) e Waldomiro de Oliveira (laranja de Youssef), foram representados por seus advogados.
Ao saírem das oitivas, os advogados entoaram o mesmo discurso, reforçando que as testemunhas não confirmaram a existência de um cartel formado pelas empreiteiras. "O Augusto (testemunha), que havia dito que o Ricardo Pessoa era o líder de tal clube, categoricamente desmentiu isso", informou Alberto Torón, defensor do presidente da UTC Engenharia.
"Existem pontos que são absolutamente díspares do que foi dito na acusação, a questão do cartel não se confirmou a meu ver. As empreiteiras teriam tentado corromper os funcionários da Petrobras, mas as testemunhas que vieram aqui disseram que as empresas é que foram pressionadas por agentes da Petrobras. Tanto que tem pessoas que foram presas que nem sequer foram citadas pelos colaboradores", apontou o advogado Celso Villardi, que representa os executivos Dalton dos Santos Avancini e João Ricardo Auler, da Camargo Corrêa.
Antônio Figueiredo Basto, defensor de Youssef, deixou claro que seu cliente era um mero "homem da mala", ou seja, quem fazia a entrega do dinheiro. "Havia uma participação de agentes públicos exigindo vantagens e com a participação de agentes políticos. Efetivamente, o esquema vinha de dentro para fora, com exigências e pedidos. A corrupção ocorria através de seus diretores, que eram indicados por grupos políticos que exigiam propina destas pessoas, portanto meu cliente não tinha poder nenhum neste processo", disse. "Não estou dizendo que tem anjo nesta história porque não tem, mas querer vir aqui e imputar a responsabilidade aos entes privados isso é uma barbaridade. É tudo obra de políticos que agora o STF vai esclarecer", completou Basto.
O advogado Alberto Tóron, que defende Ricardo Pessoa, estuda entrar com recurso nos tribunais superiores para, segundo ele, "impedir que um juiz que demonstre claramente sua propensão para condenação não se mantenha no processo". Torón reclamou que a postura adotada por Sérgio Moro causou preocupação aos advogados. "Vejam uma das perguntas: Então o dinheiro da corrupção era dado para obtenção do contrato, era isso que o senhor disse?, ou seja, perguntas que induziam quem prestava depoimento. Perguntas muito dirigidas para a condenação, e isso ficou muito claro", criticou.


