Defesa usa máquina pública
Um assessor direto do prefeito Antonio Belinati (PFL), que exerce cargo de confiança na Prefeitura de Londrina, esteve ontem à tarde no Fórum para entregar documentos ao advogado do prefeito, João Graça. O documento – que seria anexado ao mandado de segurança – foi levado por Roberto Brasiliano, fotógrafo que acompanha Belinati em todas as solenidades e inaugurações.
Brasiliano chegou correndo e sumiu rapidamente do Fórum. João Graça foi questionado se o fato de utilizar um funcionário da prefeitura para carregar documentos de interesse pessoal de Belinati não configuraria uso da máquina pública. Isso porque Graça representa o cidadão Antonio Belinati, e não a Prefeitura de Londrina. ‘‘Não é (uso da máquina) porque a prefeitura é aqui do lado, o prefeito deve ter dado a ele. Foi um favor’’, justificou. Em seguida, disse que os jornalistas estavam ‘‘se excedendo’’ no questionamento.
Assim que o assunto foi levantado, o oficial de Justiça José Abrahão da Silva, da 8ª Vara Cível, que estava acompanhando Graça, tentou desviar a atenção, argumentando que o documento na verdade foi entregue por outra pessoa. Mas a cena foi presenciada por vários jornalistas e o próprio Graça acabou admitindo que quem levou o documento foi Brasiliano. Antes de reconhecer, porém, ele tentou alegar desconhecimento sobre a pessoa que lhe entregou o documento.
O advogado do prefeito também admitiu que o procurador jurídico do município, Osmar Vieira, ainda é sócio dele no escritório de advocacia. No entanto, garantiu que o procurador não defende mais causas particulares e está em processo legal de afastamento do escritório. ‘‘Ele não advoga mais no meu escritório enquanto for procurador.’’
Sobre o fato de ser irmão da chefe de gabinete, Sandra Graça, ao mesmo tempo que é advogado pessoal de Belinati, João Graça disse que não vê qualquer constrangimento ou conflito ético. ‘‘Em que sentido?’’, questionou. ‘‘Para mim o que interessa são os aspectos técnicos, documentais. E tenho lealdade ao cliente, mesmo que isso sobreponha aos interesses de quaisquer famílias.’’ Ele tem seis anos de carreira e informou que defende Belinati há um ano, embora somente ontem o fato tenha se tornado público. Graça não quis informar o valor de seus honorários para defender Belinati.
Brasiliano foi localizado meia hora depois, em frente ao Fórum. Ele disse que tinha entregue o documento porque estava ‘‘em horário de almoço’’, embora a cena tenha se passado por volta das 15h30. De acordo com ele, o prefeito não tinha conhecimento de que ele esteve no Fórum. ‘‘Foi o advogado que pediu’’, disse, referindo-se a João Graça. (L.H. e Patrícia Zanin)

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