Os juristas que defendem o senador Antonio Carlos Magalhães dividiram em duas frentes a estratégia para afastar a ameaça da cassação. O primeiro passo consiste na preparação do memorial que será entregue aos 16 senadores que compõem o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado – o documento é uma peça da defesa que tem o objetivo de tentar neutralizar a acusação lançada pelo relator Roberto Saturnino Braga (PSB-RJ). O segundo passo – o mais importante – ainda está em estudos: se o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado decidir pelo voto aberto, ACM poderá ir ao Supremo Tribunal Federal (STF), alegando que teve um direito constitucional violado.
Os advogados Márcio Thomaz Bastos e Vicente Cernichiaro são os defensores e a esperança do senador ACM. Eles estão convencidos de que o relatório de Braga é parcial porque ‘‘não levou em consideração os argumentos da defesa’’. Também sustentam que o pefelista pode ter cometido, quando muito, uma ‘‘falta regimental ’’ – o que não justificaria a cassação. ‘‘É como numa guerrilha’’, comparou Bastos.
O advogado resumiu a linha central da defesa, exposta no memorial que chegará às mãos dos senadores terça-feira: ‘‘O Antonio Carlos recebeu uma lista de autenticidade duvidosa, sem carimbo, sem timbre e sem assinatura.’’ O senador resolveu rasgar o papel para ‘‘preservar a imagem do Senado e a lisura na votação da cassação’’ do ex-senador Luiz Estevão (PMDB-DF) – acusado pela Procuradoria da República de ter sido um dos mentores do esquema de desvio de recursos das obras do Fórum Trabalhista de São Paulo. ‘‘Se uma falta dessa ordem é motivo para cassação, então, qual pena deve ser aplicada para alguém que rouba?’’, questionou.

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