Defesa terá ministério no ano que vem
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de outubro de 1997
Agência Estado Rosário do Sul (RS) 
Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Sem dúvidaFernando Henrique e o presidente do Uruguai, Julio Sanguinetti, durante os exercícios militares: Eu vou fazerO presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou ontem, após assistir a exercícios militares no Sul do País ao lado do presidente uruguaio Julio Maria Sanguinetti, que vai criar o Ministério da Defesa até 1998. Não estou pensando nisso; é uma decisão, definiu. A criação do novo ministério dependerá de emenda constitucional, conforme explicou o ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso.
Segundo o general, a emenda é necessária porque existe na Constituição a expressão Ministérios Militares nos artigos que tratam da composição dos Conselhos da República e de Defesa Nacional.
Fernando Henrique não forneceu detalhes sobre a estrutura do futuro ministério, mas afirmou que a decisão está tomada. Não é questão de acreditar ou não, eu vou fazer, declarou. Coube a Alberto Cardoso falar um pouco mais sobre a proposta. Ele explicou que, com o Ministério da Defesa, este passará a comandar os atuais Ministérios da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. Não foi definido, entretanto, segundo Alberto Cardoso, o status que será dado aos atuais comandantes de cada uma das três Forças Armadas.
Alberto Cardoso afirmou também que ainda não se pensa em nomes para o novo ministério nem se ele será ocupado por um civil ou um militar. O ministro da Casa Militar lembrou que os estudos vinham sendo realizados pelos ministérios militares e pelo Estado-Maior das Forças Armadas (Emfa) desde o início do governo, a pedido de Fernando Henrique. Há alguns meses, o presidente acenou com a possibilidade de criação do ministério, e os estudos foram apressados. Há um mês, o Emfa, que coordenou os preparativos, concluiu o projeto e o encaminhou ao Palácio do Planalto.
A proposta, agora, começa a ser estudada, de acordo com Alberto Cardoso, em um quadro mais amplo, no Executivo. O chefe da Casa Militar não quis antecipar quanto tempo será necessário para se colocar em funcionamento a nova estrutura. A transição tem de ser cuidadosa, para não se desestruturar todo o mecanismo de defesa do País, alertou.
Alberto Cardoso avaliou que o fato de ser necessária uma emenda constitucional para a criação do Ministério da Defesa não significa que o projeto vá encontrar resistências no Congresso. É uma emenda muito simples, afirmou.
O ministro do Exército, general Zenildo Lucena, que também participou dos exercícios militares assistidos pelo presidente, declarou que a decisão de criar o novo ministério é de Fernando Henrique. O ministro acha, também, que a transição tem de ser lenta, por causa da complexidade da estruturação das Forças.


