Curitiba - O doleiro Alberto Youssef saiu confiante, ontem de manhã, depois de ser interrogado por quase duas horas na 2 Vara Federal Criminal de Curitiba. Youssef entrou e saiu do prédio sem falar com os jornalistas que cobriam o depoimento, mas o advogado de defesa Antonio Augusto Figueiredo Bastos acredita que, diante da documentação apresentada ao juiz federal Sérgio Moro, parte das acusações feitas contra Youssef pode perder efeito, além de facilitar a obtenção de um habeas corpus.
O procurador da República João Vicente Beraldo Romão, representante do Ministério Público (MP) federal, autor das denúncias contra Youssef, entretanto, afirmou que o depoimento ''não foi revelador'' e não deve contribuir para que o doleiro obtenha a liberdade. Ele não quis dar detalhes sobre o interrogatório, uma vez que o processo corre em segredo de Justiça. O próximo passo da Justiça Federal, agora, será tomar os depoimentos das testemunhas de acusação e, em seguida, as de defesa. ''Se ele continuar preso, acredito que em janeiro já deve sair a sentença'', disse Romão.
Os advogados de defesa querem protelar o caso. Para isso, ontem mesmo ajuizaram ação na própria 2 Vara Criminal da Justiça Federal, questionando a competência da vara como órgão especializado em crimes contra o sistema financeiro. A especialização foi determinada através de resolução do Superior Tribunal de Justiça (STJ). ''Queremos que o julgamento volte para Foz do Iguaçu, que foi onde todo o processo começou'', disse Figueiredo Bastos. Ele admitiu que, com essa estratégia, o julgamento volta a estaca zero, e que a intenção é levar o caso para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Youssef, que está preso desde o último dia 2 em uma das celas da superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba, também deverá passar mais um final de semana preso. A defesa ainda está preparando o pedido de habeas corpus, que será feito direto no Tribunal Regional Federal (TRF), com sede em Porto Alegre, e não junto à 2 Vara Criminal Federal. A expectativa é que o resultado saia em meados da próxima semana.
A 2 Vara decretou a prisão preventiva do doleiro no dia 28 de outubro, bem como de seu cunhado Eroni Miguel Peres e de Paulo César Stinghen, que ainda não foram presos. Segundo a denúncia do MP federal, Peres e Stinghen eram sócio-proprietários da empresa Proserv Assessoria Empresarial S/C Ltda, que seria uma empresa de ''fachada'', utilizada pelo doleiro para remessa de divisas ao exterior. A 2 Vara também aceitou a denúncia contra a cunhada de Youssef, Cristina Fernandes da Silva, que tinha uma conta bancária em seu nome na agência Banestado em Nova York, movimentada por Youssef, e Celso Cornélio Filho, contador que teria forjado declarações de rendimentos de Cristina, a fim de amparar a movimentação financeira da conta.
Entre os documentos entregues à 2 Vara, segundo Figueiredo, estão recibos e comprovantes da Receita Federal que mostram que seu cliente estaria quites com o Fisco. Um dos documentos seria o ''Termo de Encerramento Fiscal'', que declara que não foi encontrado nenhum ato de infração contra a Proserv no período entre 1996 a 2000. Ele mostrou ainda, declaração de que a conta de Nova York seria do sogro dela e que houve um termo de parcelamento dos impostos devidos junto à Receita Federal.

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