Defesa tenta libertar Paolicchi da prisão
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quarta-feira, 10 de janeiro de 2001
Marta Medeiros De Maringá Especial para a Folha 
Os advogados do ex-secretário de Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, protocolam hoje no Tribunal Regional Federal (TRF), em Porto Alegre, pedido de habeas corpus para tentar tirá-lo da prisão. Segundo Wagner Pacheco, um dos advogados de Paolicchi, o pedido está sendo feito junto com liminar para tentar agilizar uma resposta dos magistrados. Por causa do recesso do TRF, apenas juízes substitutos trabalham em casos considerados mais urgentes. O ex-secretário está detido desde o dia 8 de dezembro.
Pacheco admitiu ontem à Folha que é quase certo que o seu cliente termine o mês de janeiro na prisão. A liminar é uma tentativa da defesa, mas o pedido deve ser apreciado apenas em fevereiro, afirmou o advogado. Segundo Pacheco, as testemunhas de defesa de Paolicchi serão ouvidas em fevereiro pela Justiça Federal de Maringá no processo que acusa o ex-secretário de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, peculato e formação de quadrilha. A Justiça Federal retornou na segunda-feira do recesso.
A defesa relacionou oito testemunhas, sendo que parte delas é de Maringá e outras serão ouvidas em Campo Mourão, Brasília (DF) e São Paulo (SP). Paolicchi foi preso pela Polícia Federal depois de ficar por quase dois meses foragido. Por ter curso superior, ele está em uma cela especial no 4º Batalhão da Polícia de Maringá (BPM).
Paolicchi responde junto com o ex-prefeito de Maringá, Jairo Gianoto (sem partido), a uma ação de improbidade proposta em outubro do ano passado pelo Ministério Público (MP). A partir de agora o MP começa investigações para confirmar ou não a saída de recursos desviados da prefeitura para o exterior. Do montante inicial de R$ 3,1 milhões de desvios, o MP já chegou a valores que ultrapassam R$ 30 milhões, só em uma das contas investigadas pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público.
Segundo o promotor José Aparecido da Cruz, o MP já havia verificado a presença de dinheiro da prefeitura em contas e negócios espalhados em todo o País. Agora vamos iniciar diligências para verificar este tipo de situação no exterior, disse o promotor. Cruz não quis adiantar detalhes sobre o valor de R$ 30 milhões em apenas uma conta. Estamos ainda fazendo uma pesquisa no nervo central das operações do Paolicchi porque estamos, justamente agora, investigando volumes grandes de dinheiro, completou.
Cruz questionou a ação do Tribunal de Contas do Paraná (TC) que, durante os últimos anos, aprovou as contas de Gianoto. O promotor disse ontem, porém, que ainda é cedo para apontar algum tipo de conivência de integrantes do TC com o ex-secretário. Conforme Cruz, a conivência será qualificada no momento em que o MP descobrir cheques ou depósitos em contas de algum integrante. Para o promotor, no entanto, não há dúvidas de que o TC falhou em não detectar nenhum tipo de irregularidade na contabilidade do município.
Ainda assim, para o próprio MP, é um mistério o esquema montado por Paolicchi para conseguir esconder da contabilidade tamanho desvio de dinheiro. Estima-se que rombo na prefeitura ultrapasse R$ 100 milhões. O ex-secretário era servidor do município e nas últimas três gestões municipais atuou na Fazenda e se revezou nos cargos de secretário e diretor da pasta.


