Brasília - A defesa do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) entrou ontem com um recurso questionando a ação de improbidade oferecida pela força-tarefa da Lava Jato à Justiça do Paraná. Segundo os advogados, a força-tarefa usurpou competência do Supremo no caso e age requentando fatos para gerar alarde e pressão midiática.
A defesa pede que o Supremo suspenda a tramitação da ação na Justiça do Paraná. Para os defensores, a força-tarefa manobra para tentar cassar o mandato de Cunha, sendo que esse seria o "objetivo indisfarçável" da ação. "Como se vê, os fatos narrados são os mesmíssimos descritos na denúncia apresentada pelo procurador-Geral da República (Rodrigo Janot) a essa Suprema Corte nos autos do Inquérito 4.146/DF, cujo julgamento de apreciação da denúncia, encontra-se marcado para a próxima semana, provavelmente dia 22 de junho de 2016", diz a ação.
"Em suma, na semana anterior ao julgamento da referida denúncia, fatos que serão levados à elevada apreciação dessa Colenda Corte, foram requentados e incluídos na referida ação civil por ato de improbidade administrativa, em mais um claro expediente empregado com o fim de gerar alarde e pressão midiática", completou.
Na ação, os procuradores pedem, além de uma indenização de US$ 10 milhões, a suspensão dos direitos políticos do deputado por dez anos. Em ações de improbidade, mesmo quem tem foro privilegiado, como o deputado, responde ao processo na primeira instância. O caso, porém, não deve cair nas mãos do juiz Sergio Moro, que é responsável apenas pelos processos criminais da Lava Jato.

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