Curitiba – O advogado Roberto Podval, defensor de José Dirceu, informou ontem que vai pedir a remoção de seu cliente para o Complexo Médico-Penal (CMP), em Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba). Segundo o advogado, "a penitenciária será melhor para ele do que a custódia da Polícia Federal". O pedido seria feito ainda ontem, mas como o juiz federal Sérgio Moro estava à frente de audiências da Lava Jato durante toda a tarde, a decisão deve ficar para hoje. ``O tratamento na PF é ótimo, mas é um lugar fechado, sem sol, faz muito mal para a saúde´´, ressaltou Podval.
Questionado sobre a audiência, Podval afirmou que talvez a realização da CPI tenha sido "desnecessária". "Ela está atrasada em relação à investigação", destacou. Segundo ele, não houve nenhum desrespeito ao ex-ministro durante as perguntas, entretanto, indicou o defensor, o que ocorreu no auditório da Justiça Federal se trata de um "jogo político". "As perguntas fazem parte, mas aqui não é mais o jogo jurídico, faz parte de um jogo político. Na medida do possível as pessoas foram educadas, corretas, tirando uma ou outra pergunta. E se é um jogo político não é minha praia, trabalho no meio jurídico", reforçou o advogado.
Outros políticos já foram transferidos para o CMP como André Vargas (sem partido-PR), Pedro Corrêa (afastado do PP-PE) e Luiz Argôlo (ex-Solidariedade-BA). Além deles, os presidentes da Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht, e da Andrade Gutierrez, Otávio de Marques Azevedo, também estão no sistema penitenciário.

CALADO

Depois de permanecer em silêncio durante a CPI, Dirceu também se manteve calado em depoimento aos delegados da PF, no início da tarde. "A gente ainda não tem acesso a todos os elementos que estão no inquérito. Se não tiver acesso a todo o material, não tem o que fazer. Ele (Dirceu) vai responder e depois vou precisar de explicações para responder outras coisas. Tão logo a gente tenha conhecimento de tudo que foi acumulado na acusação podemos analisar e ver se ele vai poder falar", afirmou o advogado.
Ele ainda reclama que, sem ter acesso ao conteúdo de todas as delações premiadas fechadas com o Ministério Público Federal (MPF), fica difícil exercer a defesa de seu cliente. Segundo o defensor, apesar do juiz Sérgio Moro ter liberado os depoimentos homologados em primeira instância, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki ainda não se manifestou sobre o pedido de acesso feito pela defesa. Podval ainda ressalta que é necessário encontrar um "meio-termo" entre a condução da investigação sem dificultar o desenvolvimento da defesa. "O que está acontecendo é muito novo, a quantidade de delações. Temos que achar uma fórmula porque acaba criando um conflito. Existe a necessidade de se investigar pessoas, mas ao mesmo tempo há a necessidade que a defesa se dê plenamente", concluiu. (R.C.J.)

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