Defesa, policiais e MST trocam acusações
O dia ontem foi de ataques disparados ao comando da Polícia Civil - na artilharia, o deputado federal licenciado José Janene (PP) e seu advogado, Adolfo Góis. A FOLHA conversou com o parlamentar por telefone, mas, irritado, se recusou a falar sobre o assunto. ''Houve um acordo e eu permiti a entrada (de sem-terra, ontem, para retirada de pertences), não a polícia. Roubaram 1,2 mil ovelhas minhas e nada?'', queixou-se, encerrando o assunto logo em seguida.
O advogado do deputado informou ter protocolado três pedidos de instauração de inquérito desde que a fazenda de Gauaravera foi invadida, em setembro passado. Segundo ele, não teria havido qualquer movimentação do delegado-chefe da Polícia Civil, Sérgio Barroso, a fim de solucionar o caso.
''A entrada do MST na área foi ilegal, criminosa, sobreposta a uma decisão da 1 Vara Cível de Londrina, e não se fez absolutamente nada'', acusou, citando as três oportunidades em que pediu medidas policiais no local. ''Roubaram dois caminhões da propriedade do deputado, venderam carne de carneiro na beira da estrada a R$ 15 o quilo, furtaram diversos eletrodomésticos e o motor da piscina, armados, e isso não é milícia, não é crime? Por que a polícia não tomou a mesma atitude que tomou esta semana em prol do MST?'', questionou.
O delegado-chefe refutou as acusações de inércia na atividade policial. Segundo ele, há um inquérito em tramitação no 6º Distrito Policial (DP) cuidando das denúncias apresentadas pela defesa do parlamentar - por ora, sem resultados. ''A polícia não tinha acesso ao local antes; agora vamos ouvir todas as partes até porque é o momento mais tranquilo para as diligências serem concluídas. De qualquer forma, os proprietários não vieram para ser ouvidos - e geralmente a vítima é quem teria de denunciar'', emendou.
Um dos membros da coordenação estadual do MST, José Damasceno, disse apenas que prefere ignorar as declarações do advogado. Mesmo assim, as comentou. ''Ele senhor não tem nada que comprove ação armada de nossa parte - em nenhum canto do estado isso acontece, não é prática do MST. Da mesma forma, duvidamos da acusação de sumiço de pertences do deputado, orientamos nosso pessoal a não realizar nenhum ato de depredação'', afirmou.
No dia em que os sem-terra foram expulsos, diligências da PM no local identificaram armas como garruchas e espingarda no assentamento - mas nada dentro das barracas, segundo o comandante interino, Fábio Rincoski.
Liminar - Ontem, o juiz substituto da 5 Vara Cível de Londrina, Mário Azzolini, concedeu interdito proibitório à família Janene, contra o MST, a fim de evitar novas invasões na 3J. O descumprimento da decisão implica em multa diária de R$ 10 mil. O objetivo, explica o juiz na sentença, é ''proteger a posse'' e ''prevenir violências'' até que se esclareçam os fatos. (J.G.)





