Curitiba - O advogado do ex-deputado Fernando Ribas Carli Filho, Roberto Brzezinski, evitou falar ontem com a imprensa. Ele deve aguardar a publicação da decisão no Diário Oficial da Justiça para apresentar recurso ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). No entanto, especialista ouvido pela FOLHA aponta que o principal caminho a ser percorrido pela defesa deverá ser a de desqualificação das acusações.
''Ele vai tentar convencer o júri de que o crime que ele cometeu não é o crime do qual ele está sendo acusado'', explica o advogado especialista em direito penal Luiz Felipe Russo Schmidt. No Júri, o ex-deputado será julgado por sete cidadãos comuns que irão decidir se ele é o autor do crime e se houve dolo.
A discussão se dá justamente em torno da qualificação do crime cometido por Carli Filho. O Ministério Público denunciou o parlamentar por homicídio com dolo eventual, o que significa que ele assumiu o risco da conduta no momento do acidente. A outra possibilidade é que o ex-deputado seja julgado por homicídio culposo - quando o réu não tem a intenção de matar. ''A linha entre culpa e dolo é muito tênue'', afirma.
Schmidt não acredita que Carli Filho possa ser ''absolvido sumariamente''. ''Há muitos indícios de que houve crime. Acho difícil que o absolvam sumariamente. Mas podem admitir a possibilidade da culpa'', aponta. Nesse caso o processo seria remetido a uma vara criminal para novo julgamento.
Outra questão polêmica na decisão trata admissão de que o ex-parlamentar estava alcoolizado no momento do acidente. O exame de sangue que comprova o teor de álcool de Carli Filho no dia da colisão não foi aceito como prova porque ele não havia autorizado a coleta do sangue. Schmidt, no entanto, acredita que a jurisprudência sobre o assunto é clara. ''Há a admissão de outras provas como testemunhos e o chamado hálito etílico'', diz.
Na decisão do juiz Daniel R. Surdi de Avelar o magistrado destaca que diversas testemunhas corroboraram a tese de que Carli Filho estava alcoolizado, entre elas os garçons do restaurante no qual o ex-deputado jantou antes do acidente. Naquela ocasião a mesa na qual o parlamentar estava consumiu quatro garrafas de vinho. (R.C.F.)

mockup