Em razão da autorização do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para abertura de inquérito contra o governador Beto Richa (PSDB) para apurar supostas doações de dinheiro ilegal – proveniente de propina do esquema de corrupção na Receita Estadual de Londrina, com ramificações pela cúpula, em Curitiba – à campanha de reeleição, em 2014, a defesa do principal delator do esquema pediu reforço à segurança do auditor Luiz Antonio de Souza.
Ele está preso na unidade um da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 1) e, desde maio de 2015, quando fez acordo de delação premiada com o Ministério Público (MP), já teria sido ameaçado de morte em três diferentes ocasiões. Os portadores das ameaças seriam presos de confiança: duas vezes foram ameaças verbais e, numa terceira, foi entregue a Souza um bilhete.
Na petição dirigida ao juiz Juliano Nanuncio, da 3ª Vara Criminal Criminal, onde tramitam os processos relativos à Operação Publicano, o advogado Eduardo Duarte Ferreira argumenta que abertura do inquérito contra o governador aumentaria riscos contra seu cliente, uma vez que ele poderá ser ouvido para reafirmar declarações no acordo de delação. "Tais questões afloram sentimentos de absoluto cuidado com a integridade física do requerente, já, outrora, ameaçada por interesses muito menores", escreveu Ferreira.
À frente, completou, afirmou que "logicamente não se imputa ao governador qualquer ação imprópria, porém, a cautela do caso induz o reconhecimento claro de que interesses enormes estão em jogo, sendo o requerente pilar de sustentação das acusações a serem investigadas pelo Superior Tribunal de Justiça". Apesar disso, acentua que "o ora investigado, governador do Estado do Paraná, é o efetivo controlador do sistema penal denominado PEL 1, sendo também comandante legal das forças policiais estaduais".
Entre as medidas, Ferreira pede isolamento total de Souza, que hoje divide cela com outro preso; vigilância diuturna por meio de câmeras; e preparo das refeições por sua família. Nanuncio não apreciou o pedido, alegando que a competência é da Vara de Execuções Penais (VEP). Ferreira informou que formulará o pedido à VEP.
Em interrogatório perante o juiz da 3ª Vara Criminal, relativamente ao processo da Publicano 1, Souza reafirmou termos da delação, inclusive o suposto recolhimento de propina por auditores fiscais que teriam sido destinados à campanha do tucano. A ordem de arrecadação teria partido do empresário Luiz Abi Antoun, parente distante do governador, ao então inspetor-geral de Fiscalização (segundo cargo mais importante da Receita do Paraná), Márcio de Albuquerque Lima.
O auditor foi preso em flagrante em 13 de janeiro do ano passado, quando estava em um motel com um adolescente. Ficará na cadeia até 30 de junho, data prevista para ser posto em prisão domiciliar, conforme o acordo com o MP. Ele responde também por crimes sexuais.

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