Defesa pede que suspeito de fraudar licitação possa manter empresa
Dois empresários foram presos por tentar fraudar uma licitação em Andirá (Norte) na semana passada: Anderson Ferreira e Sidinei Silveira foram soltos mediante pagamento de fiança
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de outubro de 2019
Dois empresários foram presos por tentar fraudar uma licitação em Andirá (Norte) na semana passada: Anderson Ferreira e Sidinei Silveira foram soltos mediante pagamento de fiança
Isabela Fleischmann - Grupo Folha 
Depois que a Justiça determinou a suspensão de atividades empresariais, econômicas e financeiras de dois empresários suspeitos de tentar fraudar a licitação em um pregão presencial em Andirá (Norte Pioneiro), a defesa de um dos investigados argumenta que se a empresa for paralisada "funcionários e credores de boa-fé" serão prejudicados.
Os dois empresários, Anderson Euripedes Ferreira e Sidinei da Silveira, foram presos em flagrante durante a transmissão ao vivo do pregão, semana passada, mas acabaram soltos mediante pagamento de fiança. Ferreira teria fornecido vantagens para fraudar o processo licitatório, que visava contratar uma empresa de roçagem para a Prefeitura de Andirá. Silveira teria sido o único licitante que aceitou a proposta. O Ministério Público informou à Polícia Civil que um dos licitantes, que é policial militar, gravou o empresário oferecendo vantagem pecuniária.
No depoimento de uma licitante aos policiais, consta que Ferreira teria dito “esta licitação é minha, vou mandar o preço cheio, vou ganhar essa licitação”, dando a entender que ela deixasse o processo e não protocolasse o envelope. A licitante protocolou mesmo assim.
O advogado de Ferreira, Edimar Calovi, explicou que solicitou à Justiça que não suspendesse as atividades da empresa, já que seu cliente se colocava à disposição para voluntariamente se afastar do trabalho. "A aplicação de uma medida dessa é muito extensiva, vai atingir terceiros de boa-fé, funcionários, credores e instituições financeiras. A empresa de fato existe e gera emprego, participa de processos licitatórios e não tem hábito de comprar licitação", disse.
A defesa lembrou que até mesmo no depoimento de uma das pessoas, que não é o denunciante, há a fala de que Ferreira jamais ofertou qualquer coisa em processos licitatórios. "Ele tão somente disse que iria ganhar a licitação", contou. Calovi ressaltou que Ferreira foi vítima de uma "tramoia". Se o pedido de reconsideração à Justiça não for acatado, o advogado pretende recorrer ao Tribunal de Justiça do Estado.
DIÁLOGO
Segundo a Polícia Civil, outra participante da licitação relatou que Silveira a procurou dizendo: "olha, o Anderson disse que você vai participar da licitação, não adianta, o preço da disputa está baixo, não adianta fazer isso. Tem três empresas na disputa. Vamos fazer o seguinte, o Anderson me ofereceu R$ 2 mil para dividir com sua empresa, se tudo der certo a gente fecha o negócio, o que você acha?”, enquanto ela teria dito que não participaria do esquema.
O advogado de Silveira, Laerty Bernardino, disse que seu cliente reafirma a inocência e respeita a decisão de afastá-lo de processos licitatórios. "Ele vai provar a inocência durante a instrução probatória".
Já a Prefeitura de Andirá emitiu nota informando que "não compactua com qualquer ilegalidade e preza pela transparência de todos os seus atos".


