Curitiba - Os advogados de defesa do ex-deputado estadual Antonio Celso Garcia, conhecido como Tony Garcia, conseguiram na Justiça Federal autorização para uma perícia técnica e contábil em todas as contas do antigo Consórcio Garibaldi, fundado em 1984 e liquidado em 1994. A intenção é demonstrar que não houve gestão temerária ou fraudulenta da empresa. Mais do que isso. Os advogados acreditam que poderão demonstrar inclusive que Tony não administrava a empresa. ''Estamos trabalhando contra o tempo. Pegamos o processo praticamente liquidado por erros jurídicos cometidos pelo advogado anterior. Ele (Tony) foi vítima de uma série de erros e manobras judiciais'', defendeu o advogado criminalista Antonio Augusto Figueiredo Basto.
Por conta das denúncias formalizadas pelo Ministério Público (MP) federal e das provas colhidas pela Polícia Federal (PF) no ano passado como interceptações telefônicas e quebra do sigilo bancário do ex-parlamentar , Tony chegou a ser preso no dia 9 de novembro e permaneceu na cadeia por 76 dias. Ele foi liberado depois de pagar uma fiança de R$ 5 milhões e ter os passaportes dele e de seus familiares apreendidos como garantia de que não sairia do País até o final do processo judicial.
O MP federal acusa o empresáio de ser o responsável e o beneficiário das supostas fraudes ocorridas dentro do Consórcio Nacional Garibaldi. As irregularidades teriam causado um prejuízo de R$ 40,1 milhões. Entre as supostas irregularidades que teriam sido cometidas por ele, foram elencadas: desvios de recursos arrecadados dos consorciados; desvios de recursos arrecadados dos consorciados para a Baltimore S/A; quitações simuladas de parcelas de consórcio; contemplação irregular de consorciados; contabilidade paralela das contas bancárias; informações falsas na contabilidade; atuação como seguradora sem autorização.
Figueiredo Basto voltou a negar que Tony Garcia tenha feito qualquer tipo de acordo com a Justiça Federal. ''Acho que as pessoas ligadas ao Tony, principalmente em CPIs formadas na Assembléia Legislativa, estão ansiosas e acabam pressionando para saber se realmente o meu cliente está delatando algum esquema criminoso. Posso garantir que ele tem prestado depoimento como interrogado. No caso específico dele, não vejo necessidade de delação. Até porque o Tony não tem muito a oferecer para a Justiça Federal. Ele quer comprovar a inocência dele'', disse o advogado.

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