Antes mesmo de iniciar a votação que decidiu a cassação do então prefeito Antonio Belinati (PFL), a defesa já anunciava que iria recorrer na Justiça para pedir a anulação do processo. O advogado João Alberto Graça adiantou que irá questionar na participação do presidente em exercício da Câmara de Vereadores, Flávio Vedoato (PL), na votação.
Segundo o advogado, Vedoato não poderia estar entre os 20 vereadores que votaram, já que se tratava de parte interessada na cassação de Belinati. Ele argumentou que com Belinati cassado, o presidente do Legislativo, Jorge Scaff (PSB) assumiria de vez a prefeitura. Consequentemente, Vedoato, atual vice-presidente da Câmara, se transformaria em presidente.
A validade da participação ou não de Vedoato se transformou em polêmica minutos antes do início da votação. Depois que ficou decidido que o pleito seria aberto, Graça pediu a palavra e arguiu a suspeição do presidente do Legislativo.
Foi quando Vedoato pediu orientação ao procurador jurídico, João dos Santos Gomes Filho. ‘‘O presidente é idôneo e está mais que habilitado a votar, se fosse secreto’’, alegou. ‘‘Ocorre que a votação vai ser aberta, será conhecido e ele deveria se declarar suspeito’’, opinou.
‘‘Isso não existe, o presidente não está impedido coisíssima nenhuma’’, rebateu Adalberto Pereira (PFL), que sempre se mostrou a favor da votação aberta e hoje de manhã votou sim pela cassação de Belinati. No final, Graça acabou retirando o pedido de suspeição, mas, logo após o término da sessão, disse que irá recorrer judicialmente.
O advogado João Graça disse estar amparado no Regimento Interno da Câmara no caso de Vedoato. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Lauro Zanetti, contestou as declarações de Graça. Segundo ele, Vedoato não é parte interessada porque precisaria ocorrer uma eleição para a escolha do novo prefeito.
Graça disse que esperará os documentos que já requisitou junto ao Legislativo para, com calma e tranquilidade, analisar quais recursos irá utilizar. Ele disse que tem um prazo de 120 dias para recorrer.
Além da certidão e de pedir a consignação do episódio de Vedoato durante a sessão, a defesa de Belinati requereu ainda documentos referentes à decisão sobre a votação aberta e sobre o que considera ‘‘não definição’’ das sete infrações político-administrativas que teriam sido cometidas pelo prefeito cassado.
O advogado Mauro Viotto, que atuou hoje, no lugar de Graça, declarou que foi mantida a vontade dos vereadores. ‘‘Cada um tem sua consciência’’, resumiu. Ele disse que irá conversar com o advogado titular de Belinati para tratar dos recursos e também insistiu que a participação de Vedoato foi ilegal.
Viotto falou durante duas horas hoje de madrugada, durante a sessão, para defender Belinati e garantir a votação secreta. Mas a tentativa foi em vão.
O procurador da Câmara lamentou que os vereadores não seguiram suas orientações – primeiro de optar pelo voto secreto e depois de Vedoato se declarar impedido de participar da votação.
A participação de outro vereador também foi questionada, mas pelos dirigentes de partido. O presidente local do PMN, Gelson dos Santos, anunciou hoje que irá pedir a expulsão do vereador Valdemir de Araújo porque ele votou contra a cassação. ‘‘Isso contrariou uma decisão que o partido já havia tomado’’, alegou. ‘‘Ele está morto politicamente’’, afirmou.

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