O diretório municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) em Londrina quer legalizar as provas coletadas pelo Ministério Público (MP) nas investigações sobre a prestação de contas da legenda nas eleições de 2004 para usá-las com confiabilidade na defesa do próprio partido. Desta forma o advogado do PT, João dos Santos Gomes Filho, explicou a motivação para o recurso ajuizado na Justiça Eleitoral de Londrina na última quarta-feira e que resultou na suspensão dos dois inquéritos que investigam irregularidades nas contas da campanha municipal do partido no ano passado. A explicação foi dada ontem pela manhã, durante uma coletiva concedida pelo próprio advogado e que contou também com a presença do presidente do diretório estadual do PT, deputado federal André Vargas.
Segundo o advogado, o recurso invoca o foro privilegiado do prefeito Nedson Micheleti e do diretório municipal do partido. Por isso, a ordenação para a coleta de informações sobre a prestação de contas do PT deveria ser feita pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ) ou pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). ''O PT não pode ser investigado por um promotor. Somente um procurador ou ou corregedor tem competência para isso'', argumentou.
Ainda de acordo com Gomes, com a medida, o diretório tenta legalizar a coleta de provas, o que forneceria argumentos para que o próprio partido aja em defesa das contas prestadas à Justiça Eleitoral após a campanha para as eleições municipais, em 2004. ''É a primeira vez em 20 anos de trabalho que preciso provar a inocência de um cliente e para isso, pretendo usar provas colhidas de forma lícita'', disse.
A competência para julgamento do caso ainda será avaliada pelo juízo após a manifestação do Ministério Público Eleitoral. Se o TRE for confirmado como o único tribunal com competência para ordenar a retomada dos inquéritos, a Polícia Federal deverá enviar os autos para Curitiba, onde as investigações vão continuar. Questionado se o recurso seria apenas uma medida para que o partido arregimentasse mais argumentos para a defesa, Gomes respondeu que ''seria mais interessante que deixássemos a coleta continuar de forma ilícita. Assim, desqualificaríamos a acusação. Mas como o partido não fez nada de errado, preciso das provas legais para organizar a defesa''.
Tanto o advogado quanto o presidente do diretório estadual do PT aproveitaram a coletiva para responsabilizar, mais uma vez, a oposição pelas denúncias de despesas não contabilizadas durante a campanha do prefeito Nedson Micheleti. ''A oposição em Londrina quer impedir a governabilidade na cidade. O prefeito, na realidade, já enfrenta o 4º turno das eleições: foram dois turnos em 2004, mais a greve dos servidores e estas denúncias, em 2005. A oposição da cidade é formada por urubus. Vocês mesmos sabem quem está por trás disso: Luiz Carlos Hauly (deputado federal pelo PSDB)'', disse o deputado.''O MP, por meio do antigo promotor (Miguel Sogaiar, até há duas semanas promotor da 41 Zona Eleitoral, substituído por Edina Maria de Paula), investiu politicamente contra o partido. Vamos provar que nunca houve caixa 2 em Londrina, como até mesmo o próprio MP está com dificuldades de materializar. Até eu estou tendo dificuldades para receber meus honorários'', brincou o advogado.

mockup