Defesa desiste de tentar transferência de Gouvêa
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sábado, 31 de outubro de 2009
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Alegando ''melhora'' de suposto quadro depressivo e ''degradação'' na exposição pública do cliente, na condição de preso, a defesa do vereador Rodrigo Gouvêa (PRP) solicitou ontem à juíza da 4 Vara Criminal de Londrina, Carla Pedalino, desistência de exame psiquiátrico a que ele seria submetido, no início da tarde, no Instituto Médico de Londrina (IML). Com a medida - aceita pela magistrada, no final da manhã, a pouco mais de duas horas do exame -, os advogados do parlamentar desistiram, também, da proposta de transferi-lo para uma clínica psiquiátrica particular. Acusado pelo Ministétio Público (MP) de constrangimento ilegal a testemunha de ação na qual fora denunciado por peculato, Gouvêa completa hoje 18 dias de prisão preventiva no Centro de Detenção e Ressocialização (CDR) de Londrina.
O pedido de exame complementar, por parte do IML, havia sido feito pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que, na última segunda, abriu procedimento para apurar supostos maus-tratos de que o vereador seria vítima no interior do CDR. No dia seguinte, Gouvêa foi submetido a exames médico, psicológico e pesiquiátrico do CDR, além de exame de lesões corporais no IML. Em nenhum deles foram constatadas as supostas agressões.
O chefe do IML em Londrina, Fernando Piccinin, explicou ontem que, no momento do exame realizado na terça-feira, o médico legista do local, que avaliou o vereador, ''achou que era desnecessária avaliação psiquiátrica e psicológica''. Piccinim confirmou ter recebido da 4 Vara Criminal, ontem, às 11h35, o cancelamento dos exames complementares marcados para as 14 horas, ''em, função da petição da defesa à juíza''.
Um dos advogados de Gouvêa, Nilton Simão, explicou que a desistência se fundamentou ''na questão psicológica''. ''Ter uma outra exposição dessas seria muito degradante, tanto para o preso quanto para a família dele. E como esse pedido de transferência para clínica havia sido feito por nós na sexta da semana passada, e hoje (ontem) o Rodrigo já estava bemm elhor, achamos por bem recuar desse novo exame'', explicou.
Simão afirmou que já foi apresentada à juíza da 4 Criminal, na última quarta-feira, a defesa prévia do caso tanto em prol do vereador quanto da suposta assessora ''fantasma'', Maria Aparecida Vieira. ''Juntamos mais de 200 páginas comprovando que a assessora sempre trabalhou e arrolamos nove testemunhas para o Rodrigo e 11 para a Maria Aparecida.'' Indagado se assessores estariam no rol de testemunhas, o advogado não apenas admitiu, como complementou: vereadores também foram arrolados. ''Arrolamos os vereadores Joel Garcia (PDT), Sandra Graça (PP), Tito Valle (PMDB), Marcelo Belinati (PP), Gerson Araújo (PSDB) e Renato Lemes (PRB), pois eles estavam na reunião secreta em que supostamente o vereador Ivo de BAssi (PTN) teria sido constrangido pelo Rodrigo. Vão afirmar que não houve cvoação'', explicou, mas referindo-se a outra acusação contra o cliente: a de corrupção passiva pro suposta cobrabnça de propina contra o empresário Maurício Costa. Em depoimento ao MP, em agosto, Bassi relatou que Gouvêa o teria tentado cooptar para eventual eventual esquema.
''Como aquela denúncia foi juntada pelos promotores nesse outro processo, que é o da prisão, a defesa também se sentiu na obrigação de arrolar as testemunhas daquele caso anterior'', afirmou.
Ontem de manhã, antes mesmo da decisão da juíza, o diretor-geral do CDR, major Raul Vidal, dissera não ver ''necessidade de transferência'' do vereador para uma clínica. ''No sistema, a depressão é própria. Como temos mais de 900 presos, imagina se cada um alegasse um problema desses para ser transferido? Eu apenas cumpro aquilo que a Justiça determinar'', resumiu.


