Defesa de Richa quer que ação da Integração seja julgada na Justiça Eleitoral
Medida surge com base na decisão do STF de remeter aos tribunais eleitorais crimes conexos ao caixa 2, como lavagem de dinheiro e corrupção
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de março de 2019
Medida surge com base na decisão do STF de remeter aos tribunais eleitorais crimes conexos ao caixa 2, como lavagem de dinheiro e corrupção
Guilherme Marconi - Grupo Folha 
A reboque da decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de remeter à Justiça Eleitoral ações de crimes conexos ao caixa 2, a defesa do ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB) protocolou nessa quarta-feira (27) defesa prévia argumentando que o processo em que o tucano é acusado de lavagem de dinheiro não poderia tramitar na Justiça Federal. Trata-se da ação referente à Operação Integração, que surgiu em uma das fases da Lava Jato e corre na 23ª Vara Criminal de Curitiba.
O advogado Walter Bittar confirmou à FOLHA que o pedido tem relação direta com o que foi referendado pelo Supremo no dia 14 de março e considera “incompetência absoluta da Justiça Federal” em julgar o caso. “Uma vez que o crime apurado no presente feito consiste em lavagem de ativos de valores – em tese oriundos de doações eleitorais via caixa 2, o que atrai a competência à Justiça Eleitoral, impondo-se ainda a declaração de nulidade dos atos decisórios”. A nulidade dos atos com a decisão do STF foi alvo de críticas dos procuradores da força-tarefa da Lava Jato nas últimas duas semanas.

Lavagem de ativos
Segundo o MPF, alguns imóveis da família Richa foram comprados com propinas e colocados em nome da Ocaporã Administradora de Bens. Para ocultar a origem ilícita dos recursos, o contador solicitava que os vendedores lavrassem escrituras públicas de compra e venda por um valor abaixo do realmente pactuado entre as partes. A diferença entre o valor da escritura e o acordado era paga em espécie, de forma oculta, pelo contador Dirceu Pupo Ferreira, que gerenciava as operações financeiras. A denúncia protocolada em janeiro é contra o ex-governador, a ex-primeira-dama Fernanda Richa, o filho do casal, André Richa, e Ferreira.
Segundo o MPF, o dinheiro entregue a Ocaparã era alimentado por empresários ligados às concessionárias de pedágio do Anel de Integração, empresas que ainda financiavam as campanhas.
Nesta defesa prévia, além de questionar a competência da Justiça Federal, Bittar sustenta que não há fundamento na denúncia de lavagem de ativos “por não carrear elementos suficiente da prática dos crimes antecedentes.” A defesa também tenta desqualificar a homologação do delator Nelson Leal Junior, ex-diretor do DER (Departamento de Estradas e Rodagem). No documento, os advogados arrolaram oito testemunhas da defesa, entre elas está o primo de Richa, o empresário Luis Abi Antoun, que tem residência em Londrina, mas está foragido no Líbano.
Histórico
Beto Richa foi preso preventivamente no dia 19 deste mês em outra ação, a pedido do Ministério Público estadual, no âmbito da Operação Quadro Negro, e se tornou réu na segunda-feira (25) por organização criminosa, corrupção passiva e fraude à licitação. Em janeiro, ele chegou a ser preso por uma semana a pedido da Operação Integração. Já a primeira prisão de Richa, em outubro de 2018, foi relacionada a suposta irregularidade no programa Patrulha Rural. Todos os envolvidos têm negado as acusações.


