Curitiba – O defensor do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, afastou qualquer possibilidade de seu cliente tentar um acordo de delação premiada dentro das investigações da Lava Jato. Para Edson Ribeiro, a palavra "acordo" nem chegou a ser cogitada.
O segundo depoimento de Cerveró, previsto para ontem na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba, foi adiado até que a defesa tenha acesso a cópias dos documentos apreendidos na residência do acusado, no Rio de Janeiro. A previsão é de que volte a ser ouvido pelos delegados ainda nesta semana, e possa fornecer informações sobre a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, nos Estados Unidos. Em seu primeiro depoimento, Cerveró negou qualquer irregularidade nas transações financeiras promovidas por ele em dezembro do ano passado e também disse que nunca recebeu propina de Fernando "Baiano" ou qualquer outra pessoa, como consta nas acusações do MPF.
"Não citamos esta palavra (acordo) em nenhum momento, até porque ele não tem o que delatar. O engraçado é que ninguém quis ouvir ele até o momento da prisão, nem Polícia Federal e nem Ministério Público. E ele se colocou a disposição para prestar esclarecimentos", ressaltou o advogado. "Não acredito que o Nestor possa fazer uma delação. Os fatos da Lava Jato são pós 2008 e o Nestor Cerveró saiu em março de 2008 da Petrobras. Quem estava na área internacional de 2008 até agora não era ele. Então, não vejo como o Nestor possa contribuir com relação a esse período. Quem deveria ser ouvido são os sucessores dele", completou o advogado.
Ribeiro também afirmou que vai impetrar um novo pedido de habeas corpus nesta terça-feira, desta vez no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A primeira tentativa de conseguir a liberdade de seu cliente foi barrada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em Porto Alegre, na última sexta-feira.
Cerveró foi preso na madrugada do último dia 14, ao desembarcar de um voo no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. Ele já é réu na ação penal que apura crimes de lavagem de dinheiro, corrupção passiva e ativa, evasão fraudulenta de divisas e fraudes em contratos de câmbio. Segundo o MPF, Cerveró é suspeito de receber propina para intermediar as contratações de dois navios-sonda para perfuração em águas profundas na África e no Golfo do México. No mesmo processo são citados Fernando "Baiano", o executivo da Toyo-Setal, Júlio Camargo, e o doleiro Alberto Youssef. (R.C.J.)

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