Defesa de delator aponta Abi como protetor de auditores
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sexta-feira, 12 de junho de 2015
Edson Ferreira<br>Reportagem Local 
Considerado o padrinho político dos principais investigados na Operação Publicano, o empresário Luiz Abi Antoun, parente distante do governador Beto Richa (PSDB), deve prestar depoimento ao delegado do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Alan Flore, no começo da semana que vem. Abi cumpre prisão preventiva na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), depois de ter se entregado na sede do Ministério Público (MP), quinta-feira à noite. Além de Abi, o delator Luiz Antonio de Souza também está na PEL, porém, eles não mantêm contato.
O envolvimento de Luiz Abi com a estrutura da corrupção na Receita Estadual teve início logo no começo do atual governo estadual, embora o esquema de pagamento de propina aos auditores fiscais já exista há 30 anos, conforme relatou o auditor Luiz Antonio de Souza, preso desde janeiro e que firmou acordo de delação premiada com o MP. De acordo com o advogado Eduardo Duarte Ferreira, que defende Souza, "há décadas mudam as cadeiras, mas não os nomes", se baseando no que o cliente contou ao MP. Ferreira afirmou que os líderes, sendo o mais recente deles o auditor preso Márcio Albuquerque de Lima, operavam a divisão do dinheiro ilegalmente amealhado. "Abi, pela sua influência em diversos setores da administração estadual, foi procurado por Márcio, (José Luiz) Favoretto e o Luiz Antonio interessados em ocupar cargos maiores." No esquema de corrupção, a chefia ficava com a maior parte.
Ferreira classificou Abi como o "protetor desse grupo". "Sem a cobertura política que ele podia oferecer, não seriam essas pessoas que estariam à frente do esquema, embora já existisse a estrutura de propina." Ferreira, que acompanhou os dois meses de depoimentos dados pelo seu cliente ao Gaeco, avalia que o esquema "é muito grande, acho que nem o Abi tinha a dimensão de tudo."
Lima tornou-se o inspetor-geral de fiscalização da Receita Estadual, cargo do qual pediu exoneração um dia antes de o Gaeco deflagrar a primeira fase da Publicano, em março. O promotor de Justiça, Jorge Fernando Barreto da Costa, coordenador do Gaeco, confirmou que o papel de Abi seria indicar nomes de seu interesse para cargos maiores na hierarquia da Receita. "Ele tinha uma importância no sentido de indicar para cargos diretivos da Receita aqueles auditores que integravam a organização criminosa, permitindo que os crimes continuassem se desenvolvendo." Em troca, Abi teria garantido uma parte do dinheiro ilegal sendo destinado à campanha de reeleição de Beto. Conforme o delator, o montante em 2014 para o PSDB teria chegado a R$ 4,3 milhões. O partido nega e afirma que todas as contas foram aprovadas pela Justiça Eleitoral.
Com a prisão de Abi, são 50 detidos nesta fase da Publicano, sendo a maioria da delegacia da Receita de Londrina. O Gaeco tem até a próxima sexta-feira para a conclusão do inquérito. "Diante da dimensão do esquema instalado na Receita, é realmente um caso de abnegação dos profissionais do Gaeco, com a pouca estrutura que têm", afirmou Ferreira.
Procurado pela FOLHA, o advogado Luiz Carlos Mendes não quis se manifestar sobre a investigação de Luiz Abi.
TJ NEGA PEDIDO DE ABI
O Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná negou pedido feito pela defesa de Luiz Abi para suspender a ação penal da Operação Voldemort e remetê-la para o segundo grau. Abi chegou a ficar preso por uma semana naquela apuração, acusado de ser o líder da organização criminosa que teria fraudado a contratação da oficina Providence, de Cambé, pela Diretoria de Transporte Oficial do Estado (Deto).
Ao apresentar a denúncia, o MP pediu que cópia do processo fosse enviada ao TJ para apuração de eventual envolvimento da secretária estadual da Administração e Previdência, Dinorah Nogara, que tem foro privilegiado. Para a defesa de Abi, teria havido irregularidade administrativa porque apenas o TJ poderia desmembrar a ação. Porém, para o relator no TJ, Renato Lopes de Paiva, "não houve usurpação de competência" por parte do juízo de primeiro grau.


