Único dos quatro vereadores afastados a enfrentar processo de cassação na Câmara de Vereadores, Orlando Bonilha (PR) vai pedir esta semana a suspensão dos trabalhos da Comissão Processante (CP) instalada contra ele no último dia 10. A informação foi confirmada ontem à FOLHA pelo advogado do parlamentar, Ronaldo Neves, segundo o qual o argumento à CP será justamente a suspensão das atividades legislativas imposta ao cliente por decisão do juiz da 4 Vara Cível de Londrina, Jamil Riechi Filho. Além dessa liminar, que atendeu pedido formulado em ação civil pública de improbidade administrativa ingressada pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, o vereador também está afastado em decorrência de liminar concedida quinta passada pelo juízo da 8 Vara Cível - novamente a ação de improbidade.
De acordo com o advogado, a defesa por escrito pode ser entregue à comissão até a próxima sexta-feira - fim do prazo de 10 dias concedido pelo Código de Ética da Casa. ''Com a suspensão da vereança, ele perde a condição de responder à Comissão, a qual exige tal condição, enquanto assim o estiver'', afirmou Neves, para completar: ''A CP só pode operar estando o indiciado no exercício de suas funções''. Segundo Neves, o ex-vereador Henrique Barros (sem partido) e os empresários Carlos Messas, Maurício de Biagi e Alexandre Guimarães - que teriam pago propina para Barros entregar a Bonilha -, além de um quinto nome que ele preferiu não citar, serão arrolados como testemunhas do processo a que Bonilha responde no Legislativo.
O presidente da CP, vereador Tercílio Turini (PPS), declarou que vai aguardar a manifestação por escrito para analisar que estratégias serão adotadas. Enretanto, antecipou: ''Ainda não conversei com a assessoria jurídica da Câmara, mas, pelo que me consta, no Código de Ética não consta nada sobre a necessidade de o processo ter de parar caso o investigado esteja suspenso judicialmente. Se isso de fato não tiver fundamento, o pedido de suspensão dos trabalhos será indeferido - mesmo porque, o vereador está com seus direitos de parlamentar garantidos, até salário está recebendo''.
Suplentes
Também ontem, o presidente da Câmara, Sidney de Souza (PTB), se reuniu com os suplentes Vera Rubbo (PSB), João Dib Abussafi (PPS) e Fernando Nicolau - a reunião com Rubens Canizares (PHS) acontecerá sexta - e fechou um acordo para que, pelo menos pelos próximos 45 dias, nenhum deles contrate assessores de gabinete. ''Além do custo, não teríamos espaço físico para tanta gente'', avaliou Souza. A convocação para posse será hoje. Eles assumem as cadeiras já na sessão da próxima quinta-feira.

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