A defesa do prefeito Barbosa Neto (PDT) pediu à Câmara Municipal de Londrina o adiamento da sessão de julgamento da Comissão Processante (CP), que está marcada para amanhã. A CP apontou suposta infração político-administrativa do prefeito no contrato com a empresa de vigilância Centronic. A defesa alega descumprimento dos prazos por parte da CP e ‘‘açodamento’’ dos integrantes pela entrega do relatório final antes do prazo. O advogado Rodrigo Sánches Rios também pede que os vereadores Sandra Graça (PP), Roberto Kanashiro (PSDB), Antenor Ribeiro (PSC) e Joel Garcia (PP) sejam impedidos de votar.
  A FOLHA teve acesso ao documento, enviado por email para o Legislativo na tarde de sexta-feira. Segundo Sánches Rios, a defesa do prefeito foi entregue no dia 10 de julho e citando o Código de Ética da Casa, ele afirma que o relatório final deveria então ter sido apresentado 20 dias depois. O relatório ‘‘acabou sendo confeccionado em apenas nove dias, em desacordo com o regulamento’’. Sánches Rios reconhece que a defesa ganhou mais tempo para ser entregue, porém, alega que o relatório da CP foi elaborado em nove dias e não nos 20 dias regularmente previstos. Ele argumenta que se soubesse da antecipação da entrega, teria ‘‘solicitado um lapso de tempo maior’’. A defesa, que deveria ter sido entregue no dia 6 de julho, acabou sendo no dia 10, com autorização da Câmara.
  Mais à frente, o advogado reforça que houve ‘‘temerária aceleração do relatório final’’, e que a sessão de julgamento foi marcada para apenas uma semana depois da notificação da defesa do prefeito. ‘‘No dia 23 fomos notificados e no mesmo dia, no mesmo documento foi informada a data do julgamento’’, protesta Sánches Rios.
  Em relação às suspeições, a defesa entende que os vereadores já tornaram públicos os seus votos, por meio da imprensa. ‘‘Os vereadores Sandra Graça, Roberto Kanashiro e Antenor Ribeiro já manifestaram publicamente os seus posicionamentos favoráveis à cassação do prefeito. Isso nulifica qualquer expectativa de que participem legitimamente do julgamento.’’ Também apontou a suspeição de Joel Garcia (PP), por ser ‘‘notório desafeto do prefeito e sabidamente informante do Ministério Público’’.
  O procurador da Câmara, Miguel Ângelo Garcia, ainda não tinha tomado conhecimento do teor do documento enviado pela defesa, mas negou os argumentos. ‘‘Quanto ao prazo, são sempre máximos e a relatora apresentou em tempo inferior ao previsto’’. Sobre o pedido de suspeição de vereadores, Garcia disse que o ‘‘fato envolvendo o vereador Joel já foi analisado pela Justiça, que não viu problema na participação dele’’.
  Ao final do pedido, Sánches Rios também faz a ameaça de que, se ocorrer a sessão amanhã, ‘‘acusados e seus defensores não se farão presentes’’. O procurador da Câmara ressaltou que vai emitir o parecer oficial sobre o pedido apenas nesta segunda-feira, antes da votação, mas destacou que ‘‘a ausência deles não inviabiliza a sessão’’.

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