Defesa de Barbosa culpa Centronic por irregularidades
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quarta-feira, 06 de junho de 2012
Paula Barbosa Ocanha <br> Reportagem Local 
O advogado designado pelo prefeito Barbosa Neto (PDT) para acompanhar as oitivas da Comissão Processante (CP) da Centronic, Rodrigo Sánchez Rios, confirmou que dois vigias contratados pela empresa de segurança pelo contrato da Prefeitura de Londrina trabalharam na rádio do chefe do Executivo, Brasil Sul, mas negou que isso foi feito a pedido do pedetista. Além disso, o advogado afirmou após acompanhar os depoimentos da manhã de ontem na Câmara de Londrina que ''com certeza, a responsabilidade direta (das irregularidades apontadas) é da empresa Centronic''. A CP investiga suposto ato de infração político-administrativa por parte do prefeito no caso de dois vigias da empresa de segurança que trabalharam na rádio de Barbosa Neto supostamente sendo pagos pelo contrato da Centronic com a prefeitura.
''Em relação aos vigilantes, há irregularidades no sentido de eles estarem prestando serviço para a Prefeitura e a Centronic os encaminhava à rádio Brasil Sul, assim como encaminhava a outros particulares. Mas em nenhum momento nenhuma das testemunhas da Centronic disse que recebeu essa ordem diretamente do prefeito, da esposa do prefeito ou de algum funcionário do prefeito'', salientou.
Na manhã e no início da tarde de ontem, seis pessoas foram ouvidas pela CP sobre o assunto: Reinaldo Aparecido Pereira, vigilante que trabalhou na rádio, Márcia Regina Vitorino Pego, do departamento de Recursos Humanos da Centronic, Jorge Luiz Bicudo, também da Centronic, Marcos Vanderlei Marques, contador da Rádio Brasil Sul, Dênison Utiyamada, servidor que na época do contrato trabalhava na Secretaria de Gestão Pública e Louise Bolzani, também servidora da Gestão Pública. O outro vigilante, Antônio Soares Alencar, não compareceu.
''Todos os depoimentos das testemunhas apontaram irregularidades em relação à empresa Centronic, mas nenhuma levantou indícios quanto à responsabilidade política do prefeito. Não há em nenhum depoimento algum dado objetivo ou subjetivo que possa indicar que o prefeito tenha solicitado que eventualmente trabalhadores da Centronic que trabalhavam pela Prefeitura fossem deslocados para a rádio'', defendeu Sánchez.
O advogado ressaltou que as irregularidades no contrato da empresa com a prefeitura iniciaram em 2006, na época do ex-prefeito Nedson Micheleti (PT). ''O que constatamos nos depoimentos de hoje é uma dimensão maior de irregularidades que se arrastam desde 2006, no início do contrato'', afirmou, indicando que teria havido falha na fiscalização dos contratos por parte da secretaria de Gestão Pública da época. ''Foi o prefeito (Barbosa Neto) que pediu rescisão do contrato da Centronic.''
Apesar de alegar que não houve irregularidade por parte da rádio do prefeito, o advogado não soube explicar por que nos holerites dos vigias que trabalharam na Brasil Sul constava como fonte pagadora o contrato feito com a prefeitura de Londrina.
O presidente da CP, vereador Roberto Kanashiro (PSDB) foi cuidadoso ao comentar o assunto. ''Não podemos afirmar se há responsabilidade do prefeito porque isso pode atrapalhar o relatório final da investigação. Mas esperamos outros depoimentos para que essa questão dos holerites fique esclarecida'', ponderou. Na próxima quarta-feira, o prefeito Barbosa Neto e ouras quatro pessoas serão ouvidas sobre as denúncias.
A CP já cumpriu um terço do prazo da investigação. Os vereadores devem apresentar relatório final indicando cassação do mandato do prefeito ou arquivamento do caso até dia 4 de agosto.
'Equívoco interno'
O advogado da Centronic, Elias Mattar Assad, não polemizou com o advogado do prefeito e voltou a negar que a empresa tenha praticado irregularidades no contrato com a Prefeitura de Londrina. Disse que ocorreu um ''equívoco interno de impressão'' no comprovante de pagamento dos vigias que trabalhavam na rádio do prefeito. ''Lá constou que o contratante seria a Prefeitura de Londrina, mas, de fato, foi um equívoco interno de impressão. Os vigias eram pagos através de um contrato de permuta por propaganda entre a empresa e a rádio.'' Segundo ele, o depoimento do representante da Centronic ''irá esclarecer o assunto''. (Colaborou Loriane Comeli)


