Defesa de acusados se apega em imprecisão de dados
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terça-feira, 09 de novembro de 2010
Catarina Scortecci<BR> Equipe da Folha 
Curitiba - A defesa dos três ex-diretores da Assembleia Legislativa (AL) sinalizou ontem que a imprecisão de dados fornecidos pela própria Casa deve ser uma das armas para tentar enfraquecer a denúncia de desvio de dinheiro a partir da nomeação de funcionários ''fantasmas''. Ontem, na primeira audiência de um dos processos que correm na 9 Vara Criminal de Curitiba, os próprios promotores de Justiça à frente do caso reconheceram que o reaproveitamento das matrículas dos funcionários, prática utilizada pela AL mas só recentemente descoberta, pode ter dado imprecisão às datas de contratação e demissão de parte dos réus.
Na denúncia apresentada em maio pelo Ministério Público do Estado, Priscila da Silva Matos Peixoto, filha do réu e funcionário da AL João Leal de Matos, teria sido contratada quando tinha apenas 7 anos de idade. A matrícula de Priscila, contudo, pode ter sido reaproveitada. Ou seja, o histórico de um funcionário anterior pode ter se somado ao histórico de Priscila. ''Ela de fato trabalhou (na AL), mas numa época posterior, depois que ela completou 18 anos'', disse a advogada da família de João Leal de Matos, Andrezza Beltoni.
O promotor de Justiça Odoné Serrano minimizou a imprecisão nos dados que basearam parte da denúncia. ''Não altera em nada. E outra coisa: são dados repassados pelo próprio Legislativo, são dados oficiais'', afirmou ele. A defesa, contudo, acredita que houve ''pressa'' do MP. ''É acusar sem saber'', afirmou o advogado Marden Esper Maués, que representa o réu Cláudio Marques da Silva, ex-diretor de pessoal da AL. Nesta primeira denúncia, o MP apontou um desvio de cerca de R$ 13 milhões dos cofres públicos e, para fazer o cálculo, levou em conta todos os salários supostamente pagos ao longo dos anos a ''fantasmas''.
O reconhecimento da imprecisão nos dados foi um dos motivos que levou a defesa dos três ex-diretores da AL a dispensar ontem todas as suas testemunhas. ''O ônus da suposta prova do crime não é nosso'', afirmou o advogado Eurolino Sechinel dos Reis, que representa Abib Miguel, ex-diretor geral da AL, e José Ary Nassiff, ex-diretor administrativo da AL. A defesa também tentou argumentar ontem que os ex-diretores da AL não tinham poder de contratação, procedimento que era submetido sempre à Mesa Executiva da AL, ou seja, aos deputados estaduais Nelson Justus (DEM) e Alexandre Curi (PMDB), presidente e primeiro secretário da Casa, respectivamente.


