Curitiba - A primeira audiência destinada a ouvir as testemunhas de um dos principais casos de desvio de dinheiro na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná pode não acontecer na segunda-feira. A defesa do ex-diretor-geral da AL Abib Miguel, principal réu no caso, vai pedir a suspensão da audiência alegando que a ausência de seu cliente prejudica o julgamento. Preso em Curitiba, Bibinho, como é conhecido, foi levado para o Hospital São Lucas na tarde de quinta-feira, com um diagnóstico de hérnia umbilical estrangulada. Ontem, o médico responsável, Rogério Scheibe, informou por meio de um boletim que Bibinho foi submetido a uma cirurgia no mesmo dia e que o paciente ''encontra-se com ótima evolução no primeiro dia de pós operatório''. O boletim também informa que ele deve ter alta ''dentro de alguns dias''.
O advogado de Bibinho, Eurolino Sechinel dos Reis, não acredita na possibilidade de a audiência ser realizada. ''Por motivo alheio à sua vontade ele não pode comparecer. E sem a presença do réu não há como ter a audiência. Quem decide é a juíza (Angela Regina de Lucca), mas se ela decidir pela manutenção, vamos ver na hora o que pode ser feito'', disse.
Já o procurador de Justiça Leonir Batisti, coordenador estadual do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), autor de duas denúncias contra Bibinho, disse que está confiante na realização da audiência. ''A Constituição não proíbe a realização da audiência sem a presença do réu. E algumas vezes o réu pode até pedir para não aparecer. Não vejo prejuízo.''
Questionado ainda sobre o fato de o médico responsável por Bibinho ser funcionário da AL e uma das testemunhas chamadas pelo ex-diretor geral, Batisti disse que ''a presunção é sempre que as coisas estão corretas'', mas que se o Ministério Público detectar ''algo impróprio'' ele deve agir. ''No primeiro indício de manipulação a Justiça tem mecanismos para agir, chamar uma junta médica se for o caso.''
O advogado de Bibinho disse que não vê ''relevância'' no episódio. ''É normal, é o médico de confiança dele, são amigos há anos.'' A Reportagem não conseguiu contato com o médico Rogério Scheibe.
Bibinho responde a dois processos na 9 Vara Criminal de Curitiba e a primeira audiência de um deles foi marcada para segunda-feira. Nos dois processos, ele responde por crimes de peculato, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. O Gaeco aponta o ex-diretor geral como o ''comandante'' de pelo menos dois esquemas de desvio de dinheiro da AL a partir da nomeação de funcionários ''fantamas''. Além de Bibinho, outros dois ex-diretores da AL também são réus nos mesmos processos.

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