Brasília - As críticas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao governo Luiz Inácio Lula da Silva levaram ontem os senadores Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Aloizio Mercadante (PT-SP) a se revezarem na tribuna do Senado, cada qual acusando o governo do outro. Virgílio, hoje líder do PSDB na Casa, foi líder de FHC no Congresso. Mercadante é o líder do governo Lula no Senado. ''O líder Mercadante fala que Fernando Henrique teria criticado Lula por vontade de voltar ao poder. Quem me parece preocupado demais com a eleição, a ponto de não sair do palanque, é precisamente o presidente Lula'', disse Virgílio.
O petista fez o primeiro discurso, segundo o qual várias afirmações feitas por FHC em relação aos seus oito anos de governo não correspondem à verdade. Questionou, por exemplo, a declaração do ex-presidente de que sua intenção não era abrir mais a economia, porque ela já estava aberta. ''Houve, sim, uma abertura precipitada, ingênua, associada a uma política de âncora cambial, de sobrevalorização da moeda, que arrebentou parte da indústria, que arrebentou a capacidade de produção da agricultura e que desequilibrou as contas externas do país. Até hoje, estamos enfrentando essas dificuldades'', disse.
Mercadante rebateu as críticas de FHC sobre as taxas de juros praticadas no atual governo, acusando o ex-presidente de manter, em seus oito anos de mandato, as maiores taxas de juros da economia internacional.
Virgílio apresentou números para mostrar que no governo FHC houve ganhos de produtividade na economia. E criticou o atual governo. ''O líder Mercadante nos sugere como fazer oposição. Eu sugeriria ao líder que aconselhasse o governo a começar a governar, a começar a agir'', disse. ''É um governo que não é tocado, as decisões administrativas que são postergadas, aliados que estão cada dia mais inquietos.''

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