Wagner Pacheco, um dos advogados que defendem o ex-secretário de Fazenda de Maringá Luis Antônio Paolicchi, ocupou cargo no primeiro escalão do governo Alvaro Dias (1987-1990). Ele foi procurador-geral do Estado de 1987 a 1989 e secretário-chefe da Casa Civil em 1990. O advogado também fez parte do Conselho Administrativo da Copel no governo de Alvaro. Hoje ele pertence ao PSDB e é o primeiro suplente do senador Osmar Dias. Segundo Osmar, eleito senador em 1994, Pacheco foi escolha do irmão Alvaro Dias. O tucano disse que não tem relacionamento algum com Pacheco. ‘‘Não converso com ele’’, disse ontem.
O advogado confirmou que não tem ligação com Osmar, mas fez questão de destacar que é amigo de Alvaro. ‘‘É uma pessoa a quem prezo muito’’, disse. ‘‘Alvaro foi o melhor governador que o Paraná já teve’’, elogiou. Pacheco afirmou que o depoimento de seu cliente não comprometeu Alvaro nem Lerner. ‘‘O próprio Paolicchi ressalvou que nenhum dos dois sabia o que se passava’’, justificou, referindo-se à afirmação de Paolicchi de que as campanhas de Lerner e Alvaro teriam sido beneficiadas com dinheiro desviado.
Pacheco já foi acusado de trabalhar em favor do também senador Roberto Requião (PMDB). Na campanha de 1990, para o governo, como chefe da Casa Civil de Alvaro, Pacheco foi denunciado na Justiça Eleitoral, pelo hoje deputado federal José Carlos Martinez, por criar, junto com outros membros do governo, uma farsa eleitoral para favorecer Requião. A farsa ficou conhecida no Paraná como o ‘‘Caso Ferreirinha’’. Pacheco foi inocentado por falta de provas.
Os aliados do grupo de Alvaro e Requião ressuscitaram a figura de um pistoleiro famoso que espalhou terror na região de Assis Chateaubriand. O grupo foi acusado de contratar um farsante, que disse estar a trabalho da família Martinez. A manobra foi considerada decisiva para a derrota de Martinez nas urnas. O ‘‘pistoleiro’’ foi parar no programa eleitoral gratuito do PMDB.
Pacheco, de 64 anos, é formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP). Casado, pai de quatro filhas, é especialista em Direito Penal, advoga e mora em Umuarama há 40 anos. Ele é professor aposentado de Direito Penal da Universidade Estadual de Maringá (UEM), onde lecionou durante 30 anos e está aposentado há cinco anos. Já foi professor das escolas de magistratura de Londrina, Maringá e Umuarama. É ainda considerado um dos melhores advogados criminalistas do Paraná. Também é assessor científico da Universidade Estadual de Londrina (UEL). (Maria Duarte e Leandro Donatti, de Curitiba, e Vânia Moreira, de Umuarama)

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