‘‘É para chocar a hipocrisia da sociedade.’’ Essa é a justificativa do candidato Jamil Nakad (PRTB), para a sua campanha no rádio e na TV. Para quem propôs a construção da bomba atômica quando candidatou-se a governador do Paraná pelo Prona, em 1998, criticar o ‘‘pedágio do cocô’’ na rodoviária de Curitiba – durante o primeiro dia do horário eleitoral gratuito na TV – parece ser o de menos. ‘‘Os que fazem parte da situação são incompetentes relativos e, os da oposição, são incompetentes absolutos’’, afirma Nakad para definir-se como ‘‘nem uma coisa nem outra’’ na política paranaense.
Ontem Nakad dominou o tempo que o PRTB tem na televisão (1min25s) dando mostras que a sua metralhadora verborrágica não vai poupar ninguém até o dia 28 de setembro (o último do horário eleitoral gratuito). ‘‘O circo está armado e o palhaço novamente é voc꒒, discursou no começo do programa para, em seguida, ironizar a reeleição do presidente da República e do governador do Paraná. ‘‘FHC foi reeleito e retribuiu ao povo com o salário mínimo de R$ 151,00. Jaime Lerner retribuiu com a antecipação do IPVA, o que podemos esperar com a reeleição de Taniguchi?’’, questionou.
Quanto ao ‘‘reforço de campanha’’ do colega de partido Fernando Collor de Mello, Nakad assegurou que ‘elle’ vai aparecer ao seu lado na televisão, assim que a Justiça Eleitoral de São Paulo decidir se o ex-presidente cassado poderá disputar a prefeitura da capital paulista. ‘‘Não tememos que a imagem de Collor possa atrapalhar nossa campanha. Ele só foi condenado politicamente’’, aposta o juiz aposentado, que é empresário do setor hoteleiro em Foz do Iguaçu.
Nakad garante que sua campanha não vai se restringir à inusitada crítica ao ‘‘pedágio do cocô’’. ‘‘O pobre paga para ir ao banheiro da rodoviária e o rico usa o banheiro grátis do Aeroporto Afonso Pena’’, disparou ontem no programa gratuito na TV. Entre suas principais propostas para administrar a cidade estão a criação da Universidade Municipal de Curitiba, o Banco do Povo e a cooperativa de limpeza pública.
O candidato do PRTB – também conhecido pelo bordão ‘‘chega dos mesmos’’ – é um crítico contumaz da cobrança de impostos. ‘‘O governo federal, estadual e municipal, são gulosos com os impostos. Reduzir o ISS e o IPTU, assim como eliminar as despesas supéfluas, é ponto de honra para nosso partido.’’(R.B.N.)

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