'Defendo Beto e Dilma em 2014', diz Romanelli
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quarta-feira, 17 de outubro de 2012
José Lazaro Jr. <br> <br> Reportagem Local 
Curitiba - O PMDB ''desidratou'' nas eleições municipais deste ano, encolhendo 82 prefeituras e 190 vereadores no Paraná. Apesar do resultado adverso, a legenda ainda lidera em números absolutos qualquer ranking que meça o tamanho de sua influência política no Estado e será determinante daqui a dois anos, quando os eleitores votarão para o governo do Paraná, presidência da República e Congresso Nacional.
De olho nas manifestações da bancada de deputados estaduais do PMDB, a FOLHA conversou com os políticos sobre o futuro da sigla, onde o alinhamento com o governo Beto Richa (PSDB) pode vacilar diante de um projeto que contemple uma candidatura própria do partido ao Palácio Iguaçu. O senador Roberto Requião (PMDB) tem insinuado um retorno ao governo do Paraná pela rede social Twitter e Orlando Pessuti (PMDB) não esconde de ninguém o desejo da candidatura, mesmo que seja de um terceiro nome.
Neste cenário, o retorno do deputado Luiz Claudio Romanelli à Assembleia Legislativa (AL) do Paraná é significativo. Bombeiro da composição com Beto Richa, de início ele disse que estava de volta para participar da eleição da Mesa Executiva, realizada na terça-feira, quando o presidente estadual do PSDB, Valdir Rossoni, foi reconduzido à presidência da AL, numa chapa única sustentada pelo PMDB.
Concluído o processo, Romanelli não volta à Secretaria de Estado do Trabalho e permanece exercendo o mandato parlamentar, fixado nas eleições internas do PMDB. ''A convenção estadual de dezembro tem um caráter importante para a renovação do partido'', disse o político. Ele e os outros deputados estaduais do PMDB refutam, mas é inegável que o primeiro episódio da novela que será a posição política da legenda em 2014 acontece no próximo dia 27 de outubro, véspera do segundo turno nas cinco maiores cidades do Paraná, quando os diretórios municipais do PMDB elegerão seus novos presidentes.
Apenas 102 cidades não participarão do processo, pois já realizaram eleições internas fora de época, igual a Curitiba. É daí que saem os mais de 800 delegados que escolherão os próximos dirigentes da legenda. ''Eu defendo apoios a Beto Richa e Dilma Rousseff, por exemplo. Muita gente pensa assim'', adianta Romanelli, que diz já ter apostado nessa dobradinha heterodoxa em 2010.
''É indiscutível o alinhamento da nossa bancada de deputados estaduais com o governo Beto Richa. E o PMDB ocupa e continuará na vice-presidência da República em 2014'', justifica-se Romanelli. Caíto Quintana acha cedo para falar de nomes. ''Temos que montar uma Executiva Estadual que dê a todas as alas do PMDB espaço para se desenvolverem. É cedo para falar de eleição, temos que recompor'', desconversa.
Stephanes Júnior mede menos as palavras. Acha que o diretório tem que abrigar políticos com mandato, seja no Executivo ou Legislativo. ''Não podemos continuar com funcionários de gabinete ocupando cargos de comando, é preciso que a Executiva seja representativa'', diz. ''Temos é que filiar gente nova'', argumenta Pessuti. Apesar das desavenças com Requião, o ex-governador reencontrou-se com ele na campanha em Curitiba, onde os dois apoiam Ratinho Júnior. O líder do governo Beto Richa na AL, Ademar Traiano (PSDB), não nega o interesse de manter a sigla de tantos políticos na órbita do Palácio Iguaçu. ''Hoje o PMDB é totalmente da base e vamos trabalhar para mantê-lo assim'', diz o tucano, por ora despreocupado.


