Defender o governo agora é defender o Palocci
Brasília - Mesmo sendo um conhecido crítico da política monetária do Banco Central, e no passado tenha se colocado contra a elevação da meta do superávit primário, o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), acha que não é hora de se travar um debate sobre essas questões. ''Neste momento em que o ministro Antonio Palocci (da Fazenda) está sofrendo um duro ataque da oposição, esse debate torna-se inoportuno'', afirmou. ''Defender o governo agora é defender o Palocci'', continuou Mercadante, que fez questão de deixar claro o seu ''apoio incondicional ao ministro''.
O petista acha que ''uma parte da oposição'' está interessada na desestabilização do governo e, por essa razão, ataca o ministro da Fazenda. ''Essa oposição sabe que a única forma de se viabilizar eleitoralmente é desestabilizar o governo'', acusou. Ele disse que essa estratégia coloca em risco os ganhos obtidos na condução da política econômica e que são simbolizados na figura de Antonio Palocci. ''O que estão fazendo com o Palocci é uma irresponsabilidade com o País'', afirmou.
Mercadante reconhece que efetivamente existe um debate sobre a política fiscal, principalmente relacionado com a calibragem do superávit primário, mas que, neste momento, essa discussão deve ser feita apenas dentro do governo para não fragilizar a posição do ministro da Fazenda.
''O governo pode continuar discutindo essas questões, mas não precisa expor publicamente suas diferenças'', observou, numa referência implícita às críticas feitas pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, em entrevista à Agência Estado, ao plano de ajuste fiscal de longo prazo apresentado pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Dilma qualificou o plano de ''rudimentar''.
Mercadante disse que as divergências sobre a dosagem do superávit não é um fenômeno novo no Brasil. ''Essa discussão sempre esteve presente. Ela existiu na época dos ex-ministros Mario Henrique Simonsen e Delfim Netto (que foram, respectivamente, ministros do Planejamento e da Agricultura no governo Figueiredo) e dos ex-ministros Pedro Malan e José Serra (que foram, respectivamente, ministros da Fazenda e do Planejamento no governo Fernando Henrique Cardoso).''
Mercadante lamentou que a oposição não esteja dando o devido valor ao que chamou de conquistas do governo Lula na área econômica. A primeira delas é a baixa inflação deste ano, em torno de 5% - ''a terceira menor no pós-guerra'', disse. Outra é o forte ajuste das contas externas, que reverteu um déficit expressivo no balanço de pagamento em superávit. Finalmente, o líder destaca a criação de empregos com carteira assinada nos últimos anos.





