Defasagem entre qualificação e vencimentos
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sábado, 26 de julho de 2003
Agência Estado 
Rio de Janeiro - Socióloga e historiadora com dois mestrados em Ciência e Tecnologia, a doutoranda Cristina Araripe, de 40 anos, era pesquisadora visitante da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e, ano passado, não perdeu a oportunidade quando foi lançado concurso público para a instituição. Inscreveu-se, passou e hoje é efetiva do Departamento de Formação Profissional em Ciência e Tecnologia em Saúde.
Cristina cita as vantagens de ter um trabalho fixo e o reconhecimento de ser funcionária de um centro de excelência na pesquisa científica como a Fiocruz. Porém, na ponta do lápis, recebia cerca de R$ 1 mil a mais como bolsista do que atualmente. Hoje, ganha salário-base de R$ 1.484, mais R$ 1.018 em gratificações e R$ 148,88 em auxílios transporte e alimentação, somando R$ 2.650 brutos.
Com um filho de 7 anos, desconta todo mês R$ 250 de plano de saúde, R$ 291 de contribuição para a Previdência e R$ 445 de Imposto de Renda, ficando com salário líquido em torno de R$ 1,6 mil. Recém-eleita diretora do departamento onde trabalha, deverá ter um reforço de cerca de R$ 800 mensais líquidos enquanto ocupar o cargo.
''Desde o tempo da graduação, eu sempre quis ser pesquisadora e, nessa área da difusão do conhecimento científico, o caminho é trabalhar em instituição pública. Com filho, aluguel e outros gastos, só com o meu salário seria impossível. Eu e meu marido vivemos mais ou menos, porque juntamos nossos salários'', diz a pesquisadora, casada com um antropólogo com doutorado, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).


