Decreto fecha Prefeitura para 'transição'
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Fábio CavazottiReportagem Local 
O prefeito de Santana do Itararé (119 km de Jacarezinho), José Isaac (PT), baixou um decreto na última segunda-feira determinando o fechamento da Prefeitura durante 30 dias. A inusitada medida visa permitir que o novo secretariado conheça a situação administrativa do município. Segundo Isaac, a administração anterior, comandada por José Vidal (PSDB) - mais conhecido como ''Calé'' -, impediu a realização do processo de transição após o resultado das urnas, que apontou a vitória do atual sobre o ex-prefeito.
''Ele não fez transição, não passou o balancete, não deixou nenhum relatório. Para vocês terem uma ideia, na hora da posse ele não apareceu e mandou apenas o molho de chaves da Prefeitura'', afirmou Isaac. Durante o período de fechamento da Prefeitura, o decreto informa que, além dos serviços internos, somente serão realizados o atendimento de saúde e a coleta de lixo. ''Estamos tentando pagar os salários de dezembro, que estão atrasados'', afirmou.
A passagem de governo em Santana de Itararé é tão problemática que ontem o prefeito José Isaac viajou para Aparecida (SP) visando colher uma assinatura do ex-prefeito num convênio de R$ 560 mil para liberação de verba da Caixa Econômica Federal (CEF). Detalhe: ao falar com a FOLHA, por telefone celular, Isaac estava visitando diversos hotéis e shoppings do município paulista para localizar Vidal.
''Ele veio para cá de excursão. Eu vim atrás porque se ele não assinar o documento a gente pode perder a verba'', disse. De acordo com Isaac, o documento tem que ser assinado urgentemente. O prefeito informou que o convênio tem data de 31 de dezembro de 2008 e que não há problema na assinatura com data retroativa. A verba, segundo Isaac, deve ser usada para compra de um trator, calçamento de ruas e cobertura de uma cancha de esportes.
''Calé'' não foi localizado pela FOLHA. Na Prefeitura, a reportagem também não conseguiu informações sobre o titular da procuradoria jurídica - para questionar a legalidade da assinatura retroativa.


