Curitiba - A intervenção havia pego a Assembléia Legislativa de surpresa. A própria bancada governista, que jantou com o governador na noite de anteontem (véspera do anúncio de intervenção), não sabia de nada.
Parte dos deputados recebeu com indignação a decisão do governador de intervir nas praças de pedágio. Eles se consideraram desrespeitados. ''Então o que é que estamos fazendo aqui (na Assembléia), para votar a encampação?'', questionou Nelson Justus (PFL), ex-secretário dos Transportes e aliado do ex-governador Jaime Lerner (PFL). ''Eu me sinto desrespeitado'', disse, avisando que estava indo embora do plenário. Justus não participou da votação.
Durval Amaral (PFL), líder da oposição, manifestou opinião semelhante. ''É um desrespeito do Executivo pelo Legislativo'', reclamou. Ele disse que o governador poderia simplesmente ter baixado um decreto reduzindo as tarifas, como fez Jaime Lerner em 1998, que barateou os preços em 50%, antes da sua reeleição.
O líder governista, Angelo Vanhoni (PT), disse que ''encampação e intervenção são completamente diferentes''. Para ele, com a intervenção o Palácio Iguaçu tem a vantagem de conseguir acesso à contabilidade das empresas, e saber exatamente em quanto as tarifas podem ser reduzidas.
A iniciativa do governador recebeu várias avaliações. Geraldo Cartário (PSL), considerou a decisão de Requião ''muito inteligente''. Para Augustinho Zucchi (PDT), a intervenção é mais uma ''alternativa''. Valdir Rossoni (PSDB), na tribuna, lançou uma pergunta. ''Será que o Requião não sabe que a intervenção vai parar na Justiça?''. Já o primeiro-secretário, Nereu Moura (PMDB), afirmou que as concessionárias se deram mal. ''Elas pagaram para ver'', disse.

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