Decreto anula concurso da Câmara de Londrina
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terça-feira, 06 de janeiro de 2009
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
''Um abacaxi para ser descascado'', e deixado na mesa, em cima da hora, para que isso seja feito. Foi com essa comparação que o recém-empossado presidente provisório da Câmara de Vereadores de Londrina, Jairo Tamura (PSB), analisou ontem o decreto datado do último dia 30 - com efeito retroativo a dia 29 - e que determina o cancelamento do concurso público realizado em dezembro de 2006 para preenchimento de oito vagas, disputado por cerca de 10 mil candidatos. A anulação, devido a supostas irregularidades no processo, obedece a parecer da Procuradoria Jurídica, de novembro, e segue orientação de uma comissão de sindicância formada por servidores de carreira do Legislativo. O decreto com a nulidade foi assinado pelo ex-presidente da Casa, o não-reeleito Sidney de Souza (PTB).
No parecer, o assessor jurídico Paulo Anchieta sugeriu que a Presidência não apenas determinasse a anulação integral do concurso, como também encaminhasse cópia do relatório da Comissão de Sindicância ao Ministério Público (MP) e ao Tribunal de Contas do Paraná (TC-PR) para adoção de medidas. Por fim, Anchieta coloca que, ao final de toda a análise, ''toda e qualquer importância que eventualmente venha a ser desembolsada pela Câmara/Município de Londrina seja ressarcida pelos efetivos responsáveis'' - nesse caso, aponta não apenas a empresa Cemat, que realizou o concurso, como também o Legislativo, solidariamente.
Em setembro, a comissão instituída em julho apontou, após tomada de depoimentos, que houve ''quebra de sigilo dos cartões de respostas após a aplicação das provas, de forma que não se sabe como foram manuseados''. Laranjas do ex-vereador Orlando Bonilha na aquisição de terrenos do Cemitério São Paulo, em licitação que teria fraudada na Acesf em 2006, estavam entre os primeiros colocados.
O presidente da Câmara afirmou ontem que leria todo o relatório da Procuradoria Jurídica antes de definir que medidas seriam tomadas, e quando. ''Quero estudar isso com a Procuradoria Jurídica da Prefeitura (cujo chefe, Nilso Paulo da Silva, deverá seguir depois da interinidade para a Câmara) para ver o que será feito'', disse. ''Mas é um abacaxi para descascar - essas coisas feitas em final de mandato sempre dão polêmica'', constatou.


