As últimas declarações do ministro das Comunicações, Sérgio Motta, não afetaram significativamente a rotina dos mercados, que registram oscilações fracas ontem, mas foram assunto de bastidores entre analistas financeiros, cuja principal dúvida parece ser se o ministro fala por si ou se suas afirmações refletem opiniões de governo. Não passou despercebido o fato de Motta, poucos dias após ter agitado o mercado com críticas ao diretor de assuntos internacionais do banco Central, Gustavo Franco, ter voltado a dirigir críticas a membros da equipe econômica. Ao mesmo tempo em que fazia comentários desfavoráveis a partidos e políticos da base de sustentação do governo, Motta criticou o ministro Pedro Malan, da Fazenda, por não se manifestar em reuniões sobre política econômica e por se ausentar do País na votação do FEF.
Em outro trecho da entrevista, Motta elogiou José Serra, afirmando que o governo funcionaria melhor com o senador na Economia e dando como certa sua volta ao governo. Um executivo financeiro lembrou que os elogios a Serra, tido como amigo pessoal do ministro das Comunicações, não chegam a surpreender. ‘‘Não significa que, como disse Motta, o retorno de Serra já esteja definido’’, disse o analista, embora reconhecendo que o próprio presidente já admitiu esta hipótese, ainda que sem dá-la como definitiva. Ainda que Serra, cuja posição crítica a alguns pontos do Plano Real é conhecida, venha a assumir um ministério, o executivo lembra que isto não deverá ser interpretado automaticamente como sinal de mudança de orientação na economia. ‘‘Houve este temor quando Serra assumiu no início do governo FHC, mas a política cambial não mudou’’, comentou a fonte.
Contudo, o analista reconhece que as críticas do ministro Motta e algumas de suas últimas declarações sobre economia podem ser associadas com o debate que se trava em torno das perspectivas de crescimento da economia, no qual a questão do câmbio sempre aparece como elemento de fundo. Ele observou que, na entrevista à revista ‘‘Veja’’, o ministro insistiu em sua defesa da ‘‘estabilidade combinada com o desenvolvimento’’ e relativizou as afirmações do presidente Fernando Henrique Cardoso sobre destinação dos recursos da privatização. Para Motta, FHC disse que o dinheiro será usado para manter a estabilidade econômica, e não integralmente para abater a dívida.

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