Declaração pública foi uma exigência do PMDB
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quarta-feira, 23 de julho de 1997
Agência Estado Brasília 
O almoço de solidariedade dos tucanos ao ministro das Comunicações, Sérgio Motta, reabriu no PMDB a crise que os dirigentes do partido haviam dado por encerrada na véspera. Para não ficar a reboque da reação do PFL, que reagira com o pedido de demissão do líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), o PMDB decidiu exigir uma manifestação pública do presidente Fernando Henrique Cardoso de apreço ao partido e de confiança em seus ministros.
A exigência, que os líderes do PMDB na Câmara e Senado deveriam levar ao Palácio do Planalto, foi antecipada a Fernando Henrique pouco depois das 15 horas de ontem, pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). Queremos uma palavra sua de esclarecimento à Nação, disse Temer em telefonema ao presidente. A manifestação tem de ser pessoal, e não do porta-voz, emendou. Ficou acertado que Fernando Henrique falaria no encerramento do almoço oferecido no Itamaraty ao primeiro-ministro português, Antonio Guterrez, mas o presidente adiou o pronunciamento para mais tarde, no Palácio do Planalto.
O telefonema ocorreu depois de três horas de conversa da cúpula do PMDB, reunida para um almoço na casa de Michel Temer. Presentes o ministro dos Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos; o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha; o líder na Câmara, Geddel Vieira Lima (SP) e os deputados Wagner Rossi (SP) e Henrique Alves (RN). É inaceitável que tenhamos minimizado a crise para proteger o presidente, enquanto o PSDB faz almocinho para aplaudir a incontinência verbal do Serjão e suas bobagens, protestou Geddel.
O PPB, por sua vez, considera praticamente superado o incidente provocado pelo ministro das Comunicações, Sérgio Motta que, em entrevista à revista Veja, criticou entre outras autoridades o presidente dos Correios, Amilcar Gazaniga, indicado pelo partido para o cargo. Tanto assim que votou ontem com o governo na sessão da Comissão de Constituição e Justiça do Senado que vai analisar os destaques à emenda de reforma da Previdência Social. A lealdade programática com o governo fica acima do incidente, afirmou o presidente do PPB, Esperidião Amin (SC), em entrevista na manhã de ontem ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo. Eu pessoalmente lamento, mas mesmo lamentando a gente tem que compreender.
Apesar da posição de fiel aliado do governo, o partido, segundo Amin, não deixará de dar uma resposta ao ministro sobre as críticas que fez a Gazaniga. O que vamos demonstrar publicamente é que a contribuição modesta do partido no governo, com a participação do presidente dos Correios, tem sido positiva para o Brasil. E o ministro das Comunicações deveria valorizá-la.
Para Amin, o limite dos partidos aliados às críticas do ministro Sérgio Motta dependerá do próprio presidente Fernando Henrique Cardoso.


