O promotor de Justiça de Santa Mariana, Odoné Serrano Júnior, rebateu as declarações do prefeito Arati Cafieiro (PMDB), que considerou ato de ‘‘ignorância e truculência’’ a interpelação judicial feita pelo promotor para que o presidente da Câmara, Irani Salomão (PMDB), assumisse o Executivo na ausência dele, semana passada. O vice-prefeito também estava fora e, por isso, o promotor requereu ao juiz Aldemar Sternadt que Salomão assumisse, alegando que a prefeitura não poderia ficar sem comando.
Serrano Júnior justificou em nota de esclarecimento enviada à Folha de Londrina que o quadro caótico da saúde no município levou-o a fazer ‘‘exatamente aquilo que deveria fazer’’. O promotor disse que a Constituição garante o direito à vida e à saúde e é inegável a responsabilidade do município em dar atendimento de saúde. Ele se referiu à falta de médico no hospital municipal, o que teria levado uma gestante a perder o bebê no início deste mês. Outro caso citado pelo promotor teria ocorrido dia 5 com outra gestante em trabalho de parto, também não atendida no hospital por falta de médico. ‘‘Não havia médico no hospital, nem no posto de saúde, nem ambulância’’, diz a nota.
O promotor completou que requisitou instauração de inquérito policial para apurar eventual omissão de socorro e esclarecimentos à Associação Assistencial de Santa Mariana (administradora do hospital, que, segundo ele, é praticamente toda subvencionada pela prefeitura) sobre a escala de plantão dos médicos até o final do ano. ‘‘Provocando assim a iniciativa de se conseguir médicos para atender nossa população.’’ O promotor afirmou que atualmente, ‘‘pela contribuição da atuação do Ministério Público, felizmente a cidade conta com médicos’’. Ele concluiu que ‘‘não serão ofensas impensadas, desrespeitosas e injustas que irão influir ou prejudicar os trabalhos desta Promotoria, sempre implacável e combativa na defesa dos direitos individuais e sociais...’’

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