Arquivo FolhaTrocoMagalhães: ‘‘O ministro das Comunicações Sérgio Motta é bom calado’’Os presidentes do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), reagiram ontem às críticas do ministro Sérgio Motta (Comunicações) ao Congresso. ACM afirmou que ‘‘o ministro Sérgio Motta é bom calado. Falando, é sempre um desastre’’. Para Temer, as declarações do ministro são ‘‘indevidas no seu conteúdo e impróprias nos seus conceitos’’.
Anteontem, o ministro disse em São Paulo que o Congresso tem uma ‘‘relação incestuosa’’ com o governo, dificultando a aprovação das reformas. ‘‘Incesto é coisa que acontece entre irmãos, que a Câmara não quer com o ministro (...). Nossa relação não é familiar nem fraternal, é institucional e é nesse sentido que vamos conduzir a relação do Legislativo com o Executivo e com o Judiciário’’, disse Temer. Para ACM, a declaração ‘‘foi ofensiva’’ ao governo FHC, porque, ‘‘se há uma relação incestuosa, quem faz incestos é o governo e não o Congresso’’. Disse que ‘‘Motta é um bom ministro, mas nem sempre fala com a razão’’.
Pela manhã, no Alvorada, ACM cobrou do presidente Fernando Henrique Cardoso uma posição sobre as críticas de Motta. O ministro disse ainda que o governo fará as reformas constitucionais no próximo mandato de FHC. Para ACM, a declaração, feita no momento em que o Congresso vota propostas de interesse do governo, ‘‘não é útil’’ a FHC. Motta chamou de ‘‘nojenta’’ a aprovação, pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, de projeto que prevê o fim do segundo turno para governadores e prefeitos e a redução do percentual de votos necessários para eleger o presidente no primeiro turno. Motta disse que FHC não concordava com as propostas e havia liberado os ministros para criticá-las. ACM cobrou essa posição de FHC. ‘‘A mim, o presidente disse o contrário’’, afirmou ACM.
Na Câmara, o líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), disse que esperava que o ministro ‘‘ficasse calado por mais tempo em vez de fazer esse ataque extemporâneo’’. O líder do PSDB, Aécio Neves (MG), não vê motivos para nova crise. Há dois meses, Motta criticou os aliados e provocou o pedido de demissão (não aceito) do atual líder do governo, deputado Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA).
O porta-voz da Presidência, Sergio Amaral, afirmou que o presidente Fernando Henrique Cardoso ‘‘não vê razões para comentar’’ as declarações do ministro Sergio Motta (Comunicações).

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