Declaração de Greca cria mal-estar em Portugal
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terça-feira, 27 de abril de 1999
Leandro Donatti 
A verborragia do ministro de Esportes, Rafael Greca (PFL), o envolveu num incidente diplomático com o governo português. Declarações concedidas à Agência Luso, em Brasília, durante coletiva na semana passada, sobre as comemorações dos 500 anos de descobrimento do Brasil, foram o motivo do estremecimento. Greca disse que a festa será privilegiadamente dentro do Brasil, para os brasileiros. Os portugueses interpretaram literalmente a frase, considerando-a discriminatória.
O assunto tomou conta dos jornais portugueses. O Público fez matéria reproduzindo as declarações de Greca, nomeado presidente da Comissão Brasileira para as Comemorações do V Centenário do Descobrimento do Brasil, há cerca de 15 dias.
O jornal português destacou um repórter especial para, no Brasil, repercutir o assunto. O jornalista desembarcou em Brasília ontem com a polêmica pauta, que envolveu, dentre outros, o comissário-geral da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses (CNCDP), Joaquim Romero Magalhães, que, na semana passada, participava da Bienal do Rio de Janeiro dedicada a Portugal. Segundo matéria do jornal O Público, à disposição na Internet, Magalhães requereu ao embaixador do Brasil, Francisco Knopli, reunião de emergência com Greca.
Isto é preocupante porque a construção do Brasil resulta do esforço de muita gente, mas dos portugueses em particular, declarou. O Brasil não existia à data do achamento, emendou Magalhães.
Procurado pela Folha, Greca confirmou as declarações através de sua assessoria, mas ressaltou que, em momento algum, teve a intenção de excluir os portugueses da festa dos 500 anos.


