Declaração de bens não reflete patrimônio
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quarta-feira, 09 de julho de 2008
Fábio Cavazotti<BR>Reportagem Local 
A apresentação à Justiça Eleitoral da lista de bens dos candidatos à prefeitura pode atender aos dispositivos da lei federal 9514/97, mas não esclarece o verdadeiro patrimônio de cada um. Isto, porque o patrimônio encaminhado à Justiça Eleitoral corresponde aos bens contidos na declação de Imposto de Renda, que não têm os valores atualizados desde 95. De acordo com o delegado interino da Receita Federal, David José Oliveira, a correção do valor dos bens patrimoniais só ocorre quando são vendidos - e neste caso há incidência de imposto de 15%.
Um exemplo desta disparidade é o do candidato Luiz Carlos Hauly (PSDB). Em sua declaração de bens, ele cita uma sala comercial em Cambé, no valor de R$ 5.684 - mas o próprio deputado reconhece que o imóvel vale hoje pelo menos ''três vezes mais''. Outro exemplo é o apartamento em que mora, na rua Pio XII, que aparece na declaração com valor de R$ 157.738 - mas segundo imobiliaristas ouvidos pela FOLHA vale, ''bem barato'', R$ 450 mil.
''Cumpro a legislação federal. A Receita não deixa mudar porque ela quer arrecadar na venda. Já tentamos (no Câmara dos Deputados) alterar isso, mas não conseguimos'', explicou Hauly. A lista de bens do deputado soma R$ 698.626.
Barbosa Neto (PDT), dono do maior patrimônio entre os candidatos (R$ 825.011), afirma que sua casa, no Jardim Bela Suiça, consta com valor atualizado, de R$ 400 mil. ''Todo mundo diz que a declaração é peça de ficção, mas declarei exatamente o que tinha.'' Sobre a propriedade de 75% das ações da Rádio Brasil Sul, com valor de R$ 247.500 - um candidato oponente alega que o preço real é bem mais alto -, o deputado alega que ''se trata da quota nominal da concessão''.''O resto é tudo financiado e não está integralizado.''
Outro exemplo de imprecisão do patrimônio é o do deputado estadual Antônio Belinati (PP). Em sua declaração, ele cita valor total de R$ 303.487, mas admite que vários bens pessoais foram passados em doação para os filhos - como a chácara em que mora na valorizada Zona Sul. ''O político mal intecionado procura colocar bens ou supervalorizar, e não excluir. Porque depois, se roubou, tenta disfarçar. Muita gente faz uma leitura equivocada sobre isso'', avaliou.
O deputado estadual Luiz Eduardo Cheida (PMDB), que apresentou bens no valor de R$ 397.579, confirma ter um carro que está fora da declaração porque foi adquirido depois do fechamento do imposto de renda. ''Neste caso, o bem só entra no ano seguinte.''
Já o candidato Marcelo Urbaneja (PT do B) não tem dificuldade para justificar que seu patrimônio é igual ao da declaração de bens. Em ambos os casos, ele declara valor total de zero reais. Em entrevista à FOLHA, alega que não tem realmente qualquer patrimônio próprio. ''Moro na casa do meu irmão, e o carro em que ando é financiado no nome de minha irmã, porque ela tem um amigo dono de concessionária na cidade em que mora. São coisas de família'', contou.
O candidato à Prefeitura, Marcos Colli (PV), já recebeu pedido da Justiça eleitoral para complementar a declaração. No documento entregue inicialmente à 41 Zona Eleitoral, seu imóvel foi citado apenas como ''apartamento - R$ 50 mil''. ''Eu concordo e já estou juntando os dados para fazer as especificações.'' O candidato Vilson Machado (PSOL), que descreve seu imóvel somente como ''casa residencial - R$ 85 mil'', não foi localizado ontem pela FOLHA. Os bens de Colli somam R$ 64.468 e de Machado R$ 85 mil, respectivamente.
A FOLHA também não conseguiu contato com o candidato André Vargas (PT), que apresenta bens no valor de R$ 153 mil, e declara não ter casa própria. O candidato Amadeu Felipe (PCB), que declara patrimônio de R$ 164.909, cita um apartamento na beira do lago Igapó por R$ 70 mil.


