Decisões do ministro geram especulações
Convencido de que tem o papel político de proteger a governabilidade, que traduz na harmonia entre os Poderes, Jobim diz que consolidou uma rotina de paz e conciliação. Isso é bom - desde que não se crie uma rotina de adesismo sem pudor e sem disfarces.
Na semana passada Jobim aceitou liminares que impedem a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de Paulo Okamotto, o amigo de Lula que saldou uma dívida de R$ 29 mil, e de Roberto Carlos da Silva Kurzweil, empresário investigado pelo transporte dos dólares cubanos para a campanha de Lula.
Ainda que se possa dizer que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos é um ninho de adversários políticos do Planalto, que nada descobriram contra Okamotto, vale argumentar que, na condição de presidente do Sebrae, entidade que movimenta verbas milionárias , ele é dirigente de órgão público, onde a transparência poderia ser compulsória desde o primeiro dia. Já Kurzweil é sócio de empresários que exploram o jogo no País.
''Por que não investigá-lo?'', questiona Álvaro Dias, autor de projeto de emenda constitucional determinando que liminares que envolvam investigação do Congresso só possam ser julgadas pelo plenário do tribunal. Para Dias ''as decisões do plenário jamais seriam questionadas pelo Congresso. Já as decisões de um ministro são individuais e podem gerar todo tipo de dúvida e especulação''.
Jobim diz que age de acordo com as próprias convicções jurídicas. Ele tem argumentos e nem sempre os advogados das legendas de oposição concordam privadamente com aquilo que os líderes oposicionistas dizem na tribuna.(P.M.L./A.E.)





