São Paulo - Após uma rápida visita ao Brasil onde ficou menos de 24 horas o presidente americano, George W. Bush embarcou no Aeroporto Internacional de Brasília na tarde de ontem, com destino ao Panamá. Antes de deixar o país, Bush se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Granja do Torto (Brasília) durante duas horas e meia. Ao final do encontro, ambos trocaram elogios e defenderam avanços nas negociações da OMC (Organização Mundial do Comércio).
Na chegada ao local, o líder norte-americano enfrentou protestos, e os carros de sua comitiva entraram pela porta dos fundos. A afinidade entre Lula e Bush, definida como uma ''relação franca'' pelo presidente norte-americano, fez com que a reunião ampliada, com a participação de ministros e autoridades dos dois governos, fosse cancelada.
O principal destaque do pronunciamento do presidente Bush foi sobre a questão das relações comerciais entre os dois países. Citando conversas que teve com o próprio presidente Lula, que teria lhe sinalizado que os países precisam ceder para que as negociações avancem, Bush respondeu: ''A melhor maneira de contribuir para a redução da pobreza será através dos avanços nas negociações sobre as relações comerciais da rodada de Doha. Ouvi seu recado. Os Estados Unidos estão dispostos a reduzir os subsídios agrícolas se recebermos o mesmo tratamento dos países europeus. Se baixarmos os subsídios, eu gostaria de dizer aos produtores em meu país que eles também terão acesso ao mercado europeu. Assumimos um compromisso forte em termos de avançar nas negociações da rodada de Doha. É de interessse do Brasil que a OMC avance. Este é um grande país com grandes recursos e mão-de-obra disposta a trabalhar.''
No encontro, os dois presidentes acertaram trabalhar em cooperação em novos campos estratégicos. ''Vamos iniciar uma cooperação de alto nível em ciência e tecnologia, em áreas como biodiversidade e agricultura'', informou Lula. Na saúde, as parcerias seriam nas produções de remédios contra malária, tuberculose, Aids e ameaças como a pandemia da gripe aviária.
Após a reunião, Bush fez um discurso para ministros, empresários e jornalistas no hotel Blue Tree Park, onde ficou hospedado, em Brasília. Na palestra, Bush elogiou o Brasil, dizendo que o país é ''a maior democracia da América Latina e exerce sua liderança em todo o mundo''.
''Dentro do próprio país, o Brasil também é um exemplo para o continente, já que mostra que a justiça social leva à integração da comunidade e à fé de que a liberdade deve nos guiar'', acrescentou o líder americano. Bush disse ainda que os EUA são um ''parceiro'' do Brasil, e que querem ''trazer esperança para todos os cidadãos brasileiros''.
Durante o discurso, Bush ainda defendeu a democracia e a Alca (Acordo de Livre Comércio das Américas). ''Queremos aliviar a dívida dos países mais pobres, já que nosso objetivo é promover oportunidades para todos as pessoas nas Américas, quer seja nos EUA ou no Brasil. Isso só pode acontecer com um amplo acordo comercial'', afirmou.

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