Decisão sobre salários de secretários é adiada
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quarta-feira, 17 de novembro de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Foi adiada novamente a votação do projeto de lei que dobra o salário dos secretários estaduais, de autoria do deputado estadual Antonio Anibelli (PMDB). O projeto, que circula na Assembléia Legislativa há quase um ano, recebeu emendas do deputado André Vargas (PT) e da bancada de oposição quando seria votado pela segunda vez na sessão de ontem. Com isso, o projeto volta a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e só deve ser novamente posto em pauta na semana que vem.
A iniciativa de aumentar o salário do primeiro escalão do governo para R$ 11,9 mil vem causando desgaste à base do governo desde o final do ano passado, quando o governador Roberto Requião (PMDB) sugeriu o aumento para os secretários, que atualmente recebem pouco mais de R$ 5 mil. Além de duramente criticado pela bancada de oposição, o projeto foi mantido na gaveta pelo próprio presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PSDB), que temia que a votação pudesse prejudicar a imagem dos deputados estaduais às vésperas das eleições municipais.
A emenda do deputado André Vargas reduz o valor proposto por Anibelli, que é líder do partido do governador na Assembléia. Pela emenda, o salário de um secretário ficaria fixado em R$ 8 mil. ''É o mesmo valor que ganha um ministro do governo federal. Por mais respeito que tenhamos aos nossos secretários, não podemos acreditar que eles tenham mais responsabilidades do que um ministro do governo federal'', sustentou Vargas.
Já a oposição apresentou duas emendas ao projeto: uma que estende o reajuste de 100% a todos os funcionários do Estado e outra que dá um abono de R$ 260,00 a todos os servidores do Estado. ''Posso até concordar que o salário dos secretários está defasado, mas devemos reconhecer que todos os servidores estão recebendo pouco também'', disse o líder da oposição, Durval Amaral. As emendas, porém, podem ser rejeitadas na CCJ por gerarem despesas ao poder Executivo que não são de responsabilidade da Assembléia.
O líder do governo, Natálio Stica (PT), indicou ontem que irá orientar a bancada de apoio a Requião para que derrube as emendas que forem aprovadas pela CCJ, mantendo o projeto original de Anibelli. O próprio Anibelli também se manifestou contra as emendas. ''Eu entendo esse valor como sendo um salário justo para as responsabildiades que os secretários têm. No governo passado os secretários trabalhavam com um salário baixo mas faziam acordos e negociatas que os beneficiavam. Isso não ocorre no governo Requião'', afirmou Anibelli.


