O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), entrega até o final da próxima semana o relatório com os nomes de 18 parlamentares envolvidos direta ou indiretamente nas denúncias de corrupção investigadas pelo Congresso Nacional. Serraglio deu a informação ontem pela manhã durante visita à Folha de Londrina. Ele foi recebido pelo diretor-superintendente José Eduardo de Andrade Vieira.
Segundo o deputado, o relatório será entregue ao presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), que deve, a partir do recebimento, decidir quais nomes continuarão a ser investigados pela CPMI do Mensalão e quais serão levados à Comissão de Ética da Casa para provável cassação. O relatório separa, oficialmente, os trabalhos das comissões, pondo fim às disputas políticas entre os integrantes dos dois grupos.
No relatório, Serraglio aponta ''fortes indícios'' do envolvimento de 18 deputados no esquema do mensalão. Entre eles estão dois parlamentares paranaenses (José Borba, do PMDB, e José Janene, do PP). Optando pelo envio do relatório para o presidente da Câmara, Serraglio exime a CPMI da responsabilidade direta pela provável cassação dos deputados, já que agora, caberá a Severino indicar os nomes que serão encaminhados à Comissão de Ética. Como opção, o deputado poderia apresentar o trabalho diretamente para a Corregedoria. Neste caso, somente poderiam constar no relatório os nomes que apresentassem comprovação das irregularidades. Serraglio não comentou a opção.
''Precisamos entregar sem falta este relatório até o final da próxima semana, sob o risco de colocar a credibilidade da CPMI em risco'', afirmou, em sua visita à Folha. ''Deveríamos ter feito isso já na semana passada'', completou.
Segundo o relator, o atraso deve-se à demora na conclusão dos trabalhos realizados pela equipe de consultoria da CPMI, composta, em grande parte, por assessores do Senado. A dificuldade de acesso a documentos fiscais de bancos seria um dos fatores que colaboram para o atraso na conclusão dos trabalhos dos assessores.
Ainda de acordo com Serraglio, a entrega do relatório separa oficialmente os trabalhos das duas CPMIs (Correio e Mensalão). Até o momento, o cruzamento de informações e denúncias colaborou somente para o fomento de disputas entre os integrantes dos dois grupos. O deputado Amir Lando (PMDB-RO), presidente da CPMI do Mensalão, chegou a classificar as atitudes dos componentes da comissão dos Correios como uma ''invasão''. A confusão deve-se, em grande parte, ao deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), que, ao ser investigado sobre o provável gerenciamento de um esquema de corrupção na estatal para o pagamento de propinas, denunciou o recebimento de mesadas por deputados pagas pelo PT. A partir da entrega do relatório, a CPMI dos Correios passa a investigar estritamente as irregularidades nos contratos de licitação e publicidade da estatal, enquanto a comissão do mensalão apura o pagamento da mesada em troca de apoio no Congresso.
Na próxima semana, segundo o relator, a CPMI deve ouvir os doleiros Haroldo Bicalho e Jader Kalil, além de Antônio Claramunt, o ''Toninho da Barcelona''. No início de setembro, a comissão ouvirá Luiz Gushiken (chefe do Núcleo de Assuntos Estratégicos do Governo).

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