Decisão sobre caso Carli Filho pode sair em 40 dias
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terça-feira, 10 de agosto de 2010
Rosiane Correia de Freitas<BR> Equipe da Folha 
Curitiba - O ex-deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho compareceu ontem ao Tribunal de Júri de Curitiba para depor sobre o acidente que matou dois jovens no dia 7 de maio de 2009. Carli Filho responde a processo por duplo homicídio com dolo eventual por estar dirigindo em alta velocidade, alcoolizado e com a carteira de habilitação suspensa. A expectativa é que o juiz, Daniel Ribeiro Surdi de Avelar, decida se o caso vai ou não a júri em cerca de 40 dias. Ele ainda aguarda o depoimento de duas testemunhas arroladas pela defesa e que moram em São Paulo.
A partir da conclusão disso o magistrado estipulou prazo de cinco dias para o Ministério Público, os advogados das famílias das vítimas, que atuam como assistentes da acusação, e o advogado de defesa do ex-deputado se manifestarem, num total de 15 dias. Com a conclusão dessa fase o juiz terá outros dez dias para se manifestar.
Durante o depoimento - o primeiro que ele concedeu à Justiça - o ex-parlamentar admitiu ter sido flagrado pela polícia dirigindo sem carteira quando ainda era adolescente. Carli foi questionado pelo juiz, Daniel Ribeiro Surdi de Avelar, se já havia respondido por outro fato. ''Ele disse que quando era adolescente pegou o carro do pai sem autorização e acabou detido pela polícia'', relata a promotora que acompanha o caso, Lúcia Inês Giacomit Andrich.
Apesar da admissão, a transgressão do ex-deputado não pode ser considerada um antecedente. ''Isso não fica na ficha policial da pessoa'', explica. Carli Filho chegou ao Tribunal ontem cercado de seguranças, mas de forma discreta. A chegada dele não foi percebida pela maior parte das pessoas que estavam no local. Depois da audiência ele deixou o prédio novamente cercado e não falou com a imprensa. Amigos e familiares dos dois rapazes mortos no acidente gritaram ''assassino'' durante a passagem do ex-parlamentar.
Segundo relatos dos advogados das famílias das vítimas do acidente e da promotora, o ex-parlamentar falou pouco sobre o dia do fato. Lembrou do jantar com o tio, o deputado estadual Plauto Miró (DEM). Daí em diante o ex-deputado afirma que não lembra de nada. ''Ele disse que não recorda nem de ter deixado o restaurante'', contou Elias Mattar Assad, advogado da família de Gilmar Rafael Yared, uma das vítimas do acidente.
Carli Filho disse que consumiu apenas uma taça de vinho na noite do acidente. No inquérito policial testemunhas que estiveram com o ex-parlamentar no restaurante Edvino, em Curitiba, naquela noite e a própria conta do jantar do qual ele participou apontam que teriam sido consumidas sete garrafas de vinho.


