Decisão sobre Belinati entra pela madrugada
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quarta-feira, 21 de junho de 2000
Lucilia Okamura De Londrina 
A sessão especial de julgamento do prefeito afastado de Londrina, Antonio Belinati (PFL), iniciada ontem às 7 horas avançou durante a madrugada. Por volta das 21h30 os vereadores interromperam a leitura do relatório, elaborado pela Comissão Processante, e foram jantar. A esta altura a leitura já completava mais de 10 horas. Os vereadores pretendiam seguir com a sessão durante a madrugada. Até o fechamento desta edição, por volta das 10h30, não havia uma definição se a votação ocorreria nas primeiras horas de hoje. Havia também a possibilidade de nova interrupção da sessão de julgamento com o retorno hoje.
Os trabalhos começaram às 7 horas, bastante tumultuados. Entre os fatos novos estavam o afastamento judicial de dois vereadores, um recurso da defesa negado pela Justiça e mudança do advogado de Belinati. O prefeito afastado é acusado de cometer infração político-administrativa por irregularidades na publicidade de inauguração do Pronto Atendimento Infantil (PAI), em março de 99. O relatório da Comissão Processante (CP) sugere que seu mandato seja cassado.
A expectativa, antes mesmo do início da sessão, era sobre o afastamento ou não dos vereadores Elza Correia (PMDB) e Carlos Santa Rosa (PFL). Às 6h45, o juiz da 7ª Vara Cível, José Cichocki Neto, despachou favoravelmente à defesa, proibindo os vereadores de participarem da sessão por considerar que ambos estão sob suspeição por causa de declarações feitas à imprensa.
A sessão foi aberta oficialmente às 7h15, pelo presidente do Legislativo, Flávio Vedoato, mas logo em seguida foi suspensa para resolver sobre o afastamento dos vereadores. Francisco Roberto Pereira (PT) e Jamil Hatti (PPB), suplentes, respectivamente, de Elza Correia e Santa Rosa, foram convocados e tomaram posse apenas para participar da sessão especial.
Também no início da sessão tornou-se público que o advogado Mauro Viotto estava substituindo o titular da defesa, João Alberto Graça. Ele explicou que o estado de saúde de Graça não permitiria que ele participasse de uma sessão longa e exaustiva.
A decisão de participar do julgamento, segundo Viotto, foi tomada anteontem à tarde. Eu tive a oportunidade de ler boa parte (do processo) e o principal argumento será que inexistem provas da responsabilidade do prefeito, antecipou. Ele estava acompanhado de cinco advogados do escritório de Graça e de Luiz Gaya, advogado nomeado pela Câmara por precaução ele atuaria na ausência da defesa titular de Belinati.
Quando a sessão ainda estava suspensa, por volta das 9h30, chegou uma notificação do Judiciário, dando conta que foi negado mais um mandado de segurança da defesa. Desta vez, o juiz da 4ª Vara Cível, Jefferson Johnson, indeferiu liminar para que o parecer do professor de direito Ruy Carneiro fosse retirado do relatório da CP. O parecer é favorável à votação aberta dos vereadores.
Alguns minutos depois foi reaberta a sessão e exatamente às 9h59 teve início a leitura das 1.924 laudas do processo. Coube ao vereador Luiz Carlos Tamarozzi (PTB) começar a leitura, que prosseguiu durante uma hora. Ele leu cerca de 150 páginas e foi substituído por Beto Scaff (PSDB). Apesar de ter certa experiência no assunto (já que está acostumado a realizar palestras de até três horas), Tamarozzi confessou que a leitura era difícil. Vai faltando ar, observou.
A sessão foi interrompida para almoço às 12h30. Os trabalhos foram retomados às 13h10. O forte esquema de segurança montado pelo 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) evitou qualquer incidente pela manhã. Cerca de 75 policiais foram convocados para fazer a segurança da sessão.


