O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, afirmou nesta terça-feira que a decisão do governo brasileiro de não extraditar o ex-ativista político Cesare Battisti, condenado por assassinatos na Itália, não vão mudar as relações entre os dois países.

"O Brasil é um país ao qual somos ligados por uma antiga e sólida amizade", disse Berlusconi. "Este caso não tem a ver com as relações bilaterais. É um caso de Justiça, e nós lutaremos por ela. As relações não mudarão por causa desta situação", continuou ele.

As afirmações foram feitas ao final de um encontro de Berlusconi com Alberto Torregiani, filho de uma das vítimas dos crimes atribuídos a Cesare Battisti, no aeroporto militar de Milão.

Torregiani vive numa cadeira de rodas desde que foi atingido por uma bala perdida durante o tiroteio entre o pai, o joalheiro Pier Luigi Torregiani, e os membros do grupo Proletários Armados pelo Comunismo, o PAC, ao qual pertencia Battisti.

Ânimos serenados

As declarações do primeiro-ministro serviram para serenar os ânimos de quem, no próprio governo, defende ações de retaliação contra o Brasil, como por exemplo o boicote e a revisão de acordos comerciais.

O principal objetivo foi o de preservar um acordo de 5 bilhões de euros assinado recentemente pelos dois governos. Neste mês de janeiro, o Parlamento italiano deverá ratificar o acordo que prevê, entre outros itens, o fornecimento de naves, mísseis e radares ao Brasil.

A revisão do acordo chegou a ser sugerida pelo ministro da Defesa italiano, Ignazio La Russa, que deverá aceitar a orientação do primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

Além desse acordo, estariam em risco outros em que são previstos financiamentos italianos para projetos no Brasil – até mesmo os em nível municipal, como entre as cidades de Modena e Londrina (PR).

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