Curitiba - Contrariando o resultado da maioria das pesquisas de voto realizadas no decorrer da campanha política, mais de 7 milhões de paranaenses levaram ontem os candidatos Roberto Requião (PMDB) e Osmar Dias (PDT) ao segundo turno na disputa pelo governo do Estado. O resultado foi motivo de comemoração para os militantes da coligação Paraná da Verdade, encabeçada pelo senador Osmar, e motivo de frustração para os aliados do governador licenciado Requião, que descartaram a possibilidade de um segundo turno até o último momento. O peemedebista permaneceu ao lado da família na granja Cangüiri durante toda a apuração e se recusou a conversar com a imprensa sobre o resultado das eleições.
  Na granja Cangüiri, que é a residência oficial do governo do Estado, Requião só recebeu o deputado estadual Hermas Brandão (PSDB), atual governador em exercício. Na saída, Brandão conversou rapidamente com a imprensa e informou que Requião recebeu o resultado ‘‘com tranqüilidade’’, mas admitiu que esperava ‘‘resolver’’ a disputa já no primeiro turno.
  Um dos caciques do PSDB no Paraná, Euclides Scalco, que também é um dos coordenadores da campanha do senador, comemorava o resultado com a imprensa já por volta das 18 horas. Scalco disse que a coligação já esperava por um segundo turno, em função das pesquisas internas, realizadas pelo próprio partido, mas que todos se surpreenderam com o número de votos recebidos por Osmar. Na avaliação dele, o segundo turno segue equilibrado.
  Osmar esteve na sede do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná, em Curitiba, e conversou com a imprensa por volta das 20h40, quando o resultado já estava consolidado. Osmar comentou que não era possível que somente ‘‘duas pessoas governassem o Paraná de forma alternada’’, disse ele, sem mencionar nomes, mas em referência ao seu adversário Requião e ao ex-governador do Paraná Jaime Lerner (PSB). ‘‘O importante é que as pesquisas apontavam uma coisa e aconteceu outra. As pessoas estão pensando que precisa mudar da arrogância para a humildade’’, afirmou.
  Em relação ao segundo turno, Osmar disse que continuará unido a uma ala do PSDB e o apoio do PFL ‘‘está acertado’’ para a próxima etapa. ‘‘Só faltam alguns detalhes’’, avisou. O candidato explicou ainda que conversará com as demais siglas, inclusive com o PPS, para conquistar mais apoios. Sobre o primeiro turno, Osmar fez uma análise positiva da campanha política e disse que seu crescimento foi ‘‘sustentado e progressivo’’.
  Apuração – Pela quarta vez consecutiva, Curitiba foi a primeira capital do País a concluir a apuração dos votos, às 19h35. Paranaguá, Campo Mourão, Guaraqueçaba, Ponta Grossa, Telêmaco Borba e Rio Branco do Sul foram as cidades paranaenses que mais demoraram para concluir a apuração. Até o fechamento da edição, quando 99,99% dos votos já estavam apurados no Paraná, Requião tinha 42,81% dos votos válidos, seguido de Osmar (38,60%), do petista Flávio Arns (9,35%), do pepessista Rubens Bueno (8,07%), Melo Viana (0,56%), do PV, Luiz Felipe Bergmann (0,27%), do PSOL, Ana Lúcia Pires (0,18%), do PRTB, Luiz Adão (0,06%), do PSDC, Jorge Martins (0,04%), do PRP, Antônio Roberto Forte (0,04%), do PSL, e Ivo Souza (0,01%), do PCO.

  Apoios – Rubens Bueno (PPS) disse que deverá aguardar uma ‘‘orientação nacional’’ para decidir quem deverá apoiar no segundo turno. O pepessista, que ficou em quarto lugar na disputa, disse que muitos de seus eleitores teriam decidido, na reta final, dar o voto a Osmar. ‘‘Teve uma migração na última semana. Os eleitores entenderam que deveriam fazer um ‘voto útil’, ou seja, votar no candidato que pudesse chegar com mais presença no segundo turno’’, justificou. Apesar da avaliação negativa das urnas, Rubens disse que ‘‘entramos limpos e saímos limpos’’, em relação à campanha eleitoral.
  Já o senador Flávio Arns disse ontem que não vai apoiar ninguém no segundo turno. ‘‘Independente da decisão do partido, não vou apoiar nem um, nem outro candidato’’, afirmou.
  Arns disse, porém, que não tem nada contra Osmar e Requião. ‘‘Gostaria de contribuir ao máximo, como senador, para ajudar o Paraná com quem ganhar as eleições em segundo turno’’, disse. ‘‘A minha candidatura foi um apelo do partido, para ter palanque para defender o Lula’’, justificou.

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