Decisão do TSE cria confusão no PR
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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2002
Leandro DonattiEquipe da Folha 
Curitiba - O cenário político no Paraná, para as eleições deste ano, já estava confuso. Depois da manifestação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), vinculando as coligações estaduais aos acordos nacionais, o quadro da sucessão estadual ficou ainda mais complicado. A decisão do TSE, anunciada anteontem é passível de alterações (leia mais nas páginas seguintes), fortalece alguns políticos e traz sérios constrangimentos a outros.
O deputado federal Rafael Greca e o secretário do Desenvolvimento Urbano, Lubomir Ficinski, ambos do PFL, ganham sobrevida com a decisão dos ministros. Sem o apoio do governador Jaime Lerner (PFL), que prefere um acerto com o PSDB de Beto Richa, os dois tentam viabilizar-se como candidatos do partido ao governo. Dependem agora de uma definição em torno da governadora do Maranhão, Roseana Sarney, para consolidarem a tese de candidatura própria e disputarem convenção estadual do partido.
A decisão do TSE também pode ser um argumento importante para o PPB romper com o grupo que dá sustentação política ao governo do Estado e lançar candidato ao Palácio Iguaçu. O presidente do partido, deputado federal José Janene, tem dito que o PPB dispõe de nomes com densidade eleitoral como o do ex-senador e ex-ministro José Eduardo de Andrade Vieira e do deputado estadual Tony Garcia.
O PMDB do senador Roberto Requião sai prejudicado num primeiro momento. A subserviência da maioria dos peemedebistas, que ensaiam em Brasília um apoio ao candidato do PSDB à disputa presidencial, o ex-ministro da Saúde José Serra, pode alterar os planos do partido no Estado. O complicador é que tanto PMDB quanto PSDB têm candidatos: Requião pelo PMDB e o vice-prefeito de Curitiba, Beto Richa, pelo PSDB.
No caso de o PMDB manter candidatura própria, e não coligar com os tucanos, o que é o mais provável, a decisão do TSE ainda traz outras implicações. Proíbe, por exemplo, acertos entre PMDB e PT ou qualquer outro partido de esquerda mais afinado com os peemedebistas.
Para o senador Alvaro Dias, pré-candidato do PDT ao governo, a verticalização das alianças reforça o acordo político firmado na semana passada entre o ex-governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola, de seu partido; o ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes, do PPS; e o presidente nacional do PTB, deputado federal José Carlos Martinez. Pelo que ficou acertado, as siglas vão caminhar juntas nas eleições. A tese do TSE dá mais munição para Alvaro cobrar fidelidade do PTB, que no Estado é aliado ao PFL; e garantir mais espaço no tempo reservado aos partidos no rádio e na tevê.


