Longe de ser uma dor de cabeça para o eleitorado dele e, pelo menos por enquanto, para o próprio candidato Antônio Belinati (PP), a decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de impugnar sua candidatura pode até ajudá-lo na campanha no futuro, caso a decisão seja revertida. O professor universitário e cientista político Mário Sérgio Lepre destaca que, por enquanto, a impugnação não deve alterar em nada o andamento da campanha local.
Lepre comenta que Belinati tem um eleitorado cativo e para este a decisão judicial é ''um café requentado''. A mesma situação acontece com quem não se simpatiza com o candidato ''porque, neste momento, isso pouco importa''. A impugnação também não deve alterar os rumos das campanhas dos adversários de Belinati. ''Hoje é muito mais fácil falar que a cidade não está bem do que atacar o Belinati e isso acho que não muda'', analisa o estudioso. Ele lembra que os demais candidatos preferem ir para um segundo turno com Belinati apostando na rejeição que ele tem.
Para o especialista, a temperatura da campanha só subiria caso a impugnação de Belinati não fosse revertida. Haveria a necessidade de uma reorganização total das estratégias porque, em tese, as chances de continuar na disputa aumentariam para os principais candidatos. ''A briga, então, seria pelo espólio do Belinati, porque seria o eleitorado a ser conquistado. Ainda assim, é difícil apontar qual candidato herdaria estes votos'', pondera.
O cientista critica que esta ''indecisão'' da Justiça em definir se os candidatos ''ficha suja'' podem ou não disputar as eleições, prejudica a democracia. ''O Brasil precisa melhorar nisso'', reforça. A indefinição, segundo ele, pode até ajudar o candidato que teve sua candidatura questionada judicialmente. ''O (Paulo) Maluf usou isso a favor quando o Franco Montoro tentou investigar a vida dele e não conseguiu provar nada, em 1986. Depois, o Maluf dizia que tinha sido absolvido pelo Franco Montoro'', relembra Lepre.

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